A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 30/04/2018

As doenças mentais constituem um campo da saúde o qual merece uma atenção especial do Estado brasileiro, contudo, ainda se encontram negligenciadas  pelo mesmo. Isto, pois, apesar do país possuir o maior número de casos de ansiedade e depressão da América Latina, esse ainda não obteve sucesso na formação de uma consciência coletiva acerca do tema, o que prejudica a inclusão social dos doentes.

Nesse sentido, tais doenças estão intrinsecamente associadas à era líquida moderna, refletindo as consequências de um mundo instável e fluido diretamente na saúde dos indivíduos de tal era. Ao tratar sobre o tema, o sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman traz à tona o termo “fobofobia”, ou fobia das fobias, medo do medo, afirmando que esta seria a fobia mais comum do nosso século.

Não muito distante das ideias de Bauman, o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre já defendia uma tese semelhante, com sua máxima “estamos condenados a ser livres.”, mostrando que a liberdade carrega consigo a angústia, resultado do fato de haver nos atos uma responsabilidade e nas escolhas a exclusão de infinitas possibilidades.

Em suma, ambos os pensadores defendem que esses distúrbios mentais refletem uma sociedade que está o tempo todo mudando e oferecendo infinitas alternativas aos indivíduos, gerando, com isso, a ansiedade, a qual pode se agravar na forma de doenças mentais, como síndrome do pânico e depressão. O debate dessas é, assim, fundamental para que aqueles portadores de tais doenças não sejam tratados de forma excludente no convívio social.

A fim de que isso seja possível, a atuação das escolas e universidades se tornam essenciais, ao oferecer aos estudantes debates periódicos sobre o tema, prevenindo, dessa maneira, o descuidado à saúde mental desses. Ademais, os sindicatos trabalhistas poderão promover campanhas de incentivo às empresas com o propósito de que essas se atentem à saúde mental de seus funcionários, disponibilizando a esses um acompanhamento psicológico. Desse modo, estarão viabilizando a importância do debate acerca das doenças mentais e o quanto seu tratamento e prevenção são essenciais para o desenvolvimento social.