A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 08/05/2018
Ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, suicídio. Ainda que sejam assuntos delicados, têm poder de decisão na vida de diversos jovens e precisam ser discutidos. O sociólogo Émile Durkheim determina o suicídio como fato social. As causas desse fato, determinadas pelo mesmo, podem ser reconhecidas facilmente nas demais doenças mentais, como o sentimento de abandono pelas instituições, sendo essas o Estado, a igreja, a escola e a família. Fatos sociais têm como característica a externalidade, acontecem independente da vontade de outros indivíduos. Com a atenção requerida e a intervenção correta, entretanto, os índices de distúrbios na população decairão.
A forma como o meio de convívio trata de distúrbios mentais banaliza a luta, tanto quanto declarar estado de guerra banaliza a morte. Socialmente, os indivíduos estão acostumados a valorizar sensações palpáveis e remediáveis, como ânsias e dores de cabeça. A maioria desses não compreende a interferência da saúde mental na saúde física, remedia e continua adoecendo. Por assim tratarem de seus próprios anseios, acabam por banalizar os anseios alheios, ignorando sinais tão claros de perigo iminente. Essa reação pode desencadear sentimentos maiores e ações irreparáveis, uma vez que o indivíduo passa a ignorar as maneiras de tratamento em função de descartar as possibilidades da real existência do problema por sentir-se disperso de os demais, angustiando-se com falas guardadas.
A psicologia, profissão nova em relação à outras áreas, sofrera grande preconceito, uma vez que intitulavam a necessidade de um psicólogo como loucura. Hoje, aceitabilidade dessa é pequena, deu-se por meio de filmes, séries, novelas e livros que passaram a falar mais sobre o assunto, ainda que pouco e superficialmente. Por isso, a negação de ir ao consultório de um psicólogo não receber resultados numerosos escritos em uma folha de papel, como em um consultório médico, ainda é grande. Em conjunto com a repressão de sentimentos, a baixa inserção da profissão é extremamente prejudicial, uma vez que seus frutos estimulam o tão preciso pensamento de Sócrates, ‘‘Conhece a ti mesmo’’.
Decorrente dos fatos citados, fica clara a importância de atender a ignorância de uma população pautada em problemas palpáveis, esquecendo-se da saúde mental como parte insubstituível em sua sua saúde no geral. Pode-se considerar, também, para descrever o desconforto deste meio, o conceito de sociedade orgânica de Weber para entender a sociedade atual, visto que o individualismo e egoísmo são bastante presentes e o problema do outro tornou-se banal. Dessa forma, com o auxílio de projetos governamentais de conscientização, o assunto deve ser abordado com mais frequência dentro de salas de aula e por meio da mídia influenciadora, com projetos na televisão e nas redes sociais. O incômodo de tocar no assunto pode ajudar a diminuir os índices do problema.