A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 16/07/2018

Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca da necessidade de debater as doenças mentais. Machado de Assis, escritor brasileiro, em 1882, questionou a linha tênue existente entre a racionalidade e a loucura através da obra literária “O Alienista”. Nessa perspectiva, apesar de todos os avanços sociais e medicinais na contemporaneidade, os transtornos psicológicos continuam sendo incompreendidos pelo corpo social. Logo, a fim de compreender o problema e alcançar melhorias, basta analisar o papel do preconceito populacional e da precariedade do sistema de saúde nesse contexto.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a psicofobia é crime sujeito a pena de reclusão devidamente normatizado pelo Código Penal. Contudo, uma parcela da sociedade ainda reage de forma preconceituosa em relação aos portadores de doenças psíquicas. Isso advém, da ausência de políticas públicas que protejam essas pessoas ou, ainda, que possibilitem um entendimento acerca das patologias. Com isso, cerca de 70% dos pacientes psiquiátricos ao redor do mundo não procuram tratamento, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em vista disso, nota-se uma incoerência com a frase de Frans Kafka, a qual diz que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana,posto que as práticas sociais dificultam a autoaceitação e o tratamento médico.

Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que, a saúde é um direito fundamental de todos e dever do Estado, assegurada pela Constituição Federal de 1988. Todavia, isso não reflete o atual cenário brasileiro, haja vista que apenas 11 estados do país possuem unidades especializadas em saúde mental, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria. Vale salientar que, isso provém de um sistema de saúde deficiente, no qual o atendimento humanizado, a disponibilidade de remédios e o acompanhamento multiprofissional ainda constituem um desafio. Diante disso, o convívio social do paciente e o regresso ao mercado de trabalho ficam comprometidos. Nessa conjuntura, observa-se que a permanência dessa condição é produto de um sistema de saúde inepto e exclusivo.

Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o atual quadro negativo do país. Ao Ministério da Educação, cabe à elaboração de palestras públicas e rodas de conversa com psicólogos nas escolas a respeito das doenças mentais, suas características e desmistificações, com o propósito de viabilizar o acesso à informação e auxiliar na formação de jovens conscientes. É imprescindível, também, que o Ministério da Saúde invista na criação de núcleos de atenção psicológica primária, fornecendo profissionais qualificados e com um atendimento baseado na comunicação, para esse fim, o Estado deve viabilizar mais verba ao setor de saúde, com o objetivo de aumentar a disponibilidade de medicamentos e o pleno acesso à saúde.