A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 08/06/2018
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, diz que a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida” vivida no século XX. Diante disso, surge a constatação de que a saúde mental do indivíduo brasileiro, hodiernamente, é um reflexo do modo de agir da nossa sociedade que contribui para o avanço de tal problema.
É inquestionável que a questão constitucional e o papel do Estado estejam entre as causas do problema. Podemos ver que doenças e transtornos mentais como a depressão, ansiedade,distúrbio do pânico, bipolaridade, são as principais causas de preocupação da sociedade contemporânea. Visto que, além de serem problemas difíceis de serem aceitos - principalmente no ambiente familiar e de trabalho - não há o devido tratamento nos hospitais brasileiros por falta de recursos do mesmo.
Cabe apontar, também, o descaso da população à frente da situação do cidadão doente.Hoje, aproximadamente 20% dos adultos são atingidos por transtornos e doenças mentais. Resultado da feroz globalização que faz com que haja uma exponencial “liquidez” nas relações interpessoais por fazer com que estas sejam cada vez menos empáticas e autruístas com a vida do outro.Alimentando o egocentrismo exacerbado característico da modernidade. Fato que afasta e oprime cada vez mais o doente psíquico levando-o a um caso clínico mais agravado.
Dessarte, o combate à liquidez citada inicialmente, a fim de conter o progresso das patologias psíquicas, deve tornar-se efetivo uma vez que a constituição e a sociedade estão envolvidas na problemática. Para tal, o governo brasileiro deve fazer desenvolver e agilizar a manutenção e capacitação de hospitais, promovendo tratamentos específicos para os pacientes com tais enfermidades. E como dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação trasforma pessoas e estas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação(MEC), deve difundir nas escolas palestras ministradas por psicólogos e profissionais especializados em saúde mental que discutam o combate ao preconceito às pessoas enfermas. Todas essas coisas devem ser pensadas a fim de que haja um desprendimento do tecido social de certos tabus e um devido acolhimento e inserção de todos os indivíduos enfermos da sociedade, desfazendo a “liquidez” das nossas relações.