A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 23/06/2018
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um e mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a necessidade de debater as doenças mentais, no Brasil, atualmente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não necessariamente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Neste contexto, torna-se claro o descaso dos poderes públicos, bem como o preconceito social com as doenças de cunho mental.
É inquestionável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível que, no Brasil, o descaso dos poderes públicos rompe essa harmonia. Haja vista que existe várias famílias sem a regulamentação da Lei nº 10.216 (Lei Paulo Delgado), na qual assegura os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais.
Ademais, destaca-se o preconceito com portadores de transtornos mentais como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que na atual sociedade brasileira verifica-se um preconceito enraizado, onde resulta em um total reflexo das políticas públicas vigentes.
A negligência da sociedade, em paralelo à falta de atitude do Governo, portanto, são condições diretas para que o grave caso de a necessidade de debater as doenças mentais ocorra no Brasil. Destarte, o poder público em todos os âmbitos (federal, estadual e municipal) deve-se fiscalizar a lei Paulo Delgado, por meio de funcionários públicos. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam a necessidade de debater as doenças mentais, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão