A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 06/07/2018

Em 1960, no estado de Minas Gerais, pessoas portadoras de doenças mentais eram levadas ao Manicômio de Barbacena, um local tenebroso e insalubre onde eram expostas a torturas como a lobotomia e eletrochoques. Embora o tratamento de doentes psíquicos tenha avançado muito, hodiernamente, ainda há, no Brasil, um entrave sociocultural que impede que as pessoas falem abertamente sobre o assunto e, por conseguinte, a falta de informação gera o preconceito. Assim, é preciso que ações sejam voltadas para que se resolva a problemática.

O costume de esconder sentimentos considerados negativos está relacionado a uma padronização de comportamento, em que as pessoas têm que trabalhar sempre, e ser felizes o tempo todo, além de expor apenas o “clique perfeito” de suas vidas em aplicativos como o “Instagram”, artificialidade que faz parte de um conceito que o filósofo Zygmunt Bauman define como relação líquida. Assim, quando alguém saí desse “modelo” social, ao apresentar algum transtorno mental, por temer o rótulo de  preguiçoso, fraco e pessimista, opta por não buscar ajuda, o que piora sua situação.

Essa falta de discussão sobre o assunto contribui para a manutenção de estereótipos e, posto isso, ao isolamento de indivíduos tidos como “doidos”. Isso, além de ir contra o que foi dito por Aristóteles: " o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para sua realização e busca pela felicidade", fere a lição do filme “A Era do Gelo”, em que a composição do bando se dá por um exemplar de uma espécie de mamute, tigre, preguiça e um bebê, em que é tida a prova de que a diferença e a união são responsáveis por constituir a força.

Logo, para que se reduza a estimativa de que 23 milhões de pessoas passem por tais problemas, de acordo com o site EBC, é necessário que o Ministério da Saúde direcione verbas a partir de políticas públicas para as CAPS, Centro de Apoio Psicossocial, a fim de que sejam criadas nelas centrais de atendimento que tenham como recepcionistas psicólogos e assistentes sociais para darem assistência a cidadãos que poderão desabafar sobre problemas que eles vivenciam. Dessa forma, os doentes graves serão encaminhados ao tratamento, enquanto que outros irão prevenir a patologia. Ademais, a fala sobre o tema se tornará comum e, com isso, repetir-se-á o que foi dito por J.K.Rowling, " eu nunca me envergonhei da depressão, apenas passei por um momento difícil e me orgulho de ter saído dele".