A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 16/11/2018
No Brasil, falar abertamente sobre doenças mentais ainda é um tabu. Ao longo de séculos, a loucura - como é genericamente conhecida - sempre foi tratada como uma aberração, um castigo divino. A lei antimanicomial completou 17 anos e é um marco na promoção dos direitos humanos no país, devolvendo dignidade aos pacientes psiquiátricos. Apesar disso, o estigma continua e algumas doenças mais recorrentes ainda permanecem à sombra da sociedade, isolando os que sofrem.
Essa é a questão que choca: quem sofre de depressão, ansiedade ou esquizofrenia é doente? Caso receba o devido diagnóstico, sim! E há muitos tratamentos e terapias disponíveis para os pacientes. O ponto de atenção é que frequentemente essas pessoas não se veem como doentes, ou sequer as entes de seu convívio reconhecem tal condição. Este fato prejudica a sociabilização e a rotina de quem é acometido pelos tais “males” da vida moderna. O sofrimento é acumulado ao longo do tempo e sua manifestação mais significativa pode gerar prejuízos consideráveis.
Talvez a questão não seja tão insignificante: de acordo com o Merck, 6 a 10% da população sofre de depressão, a doença psiquiátrica mais recorrente. Seus fundamentos dependem de uma série de variáveis, que são reforçadas pelo estresse e pelas condições duras da vida contemporânea nas grandes cidades. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) há mais de 300 milhões de deprimidos, tendência de que ela seja a doença mais incapacitante do século XXI.
Assim, é preciso trazer a ideia para discussão em todos os contextos sociais. Considerada a gravidade dessas e outras doenças mentais, o Ministério da Saúde deve iniciar uma campanha por rádio, TV e distribuir materiais explicativos em empresas com alta ocorrência de afastamentos de trabalhadores por incapacidade. Além disso, as secretarias municipais de saúde devem recrutar psiquiatras e psicólogos para identificar e atuar preventivamente em áreas com maior recorrência. Assim, por meio do acolhimento e atenção, os cidadãos doentes serão percebidos e tratados.