A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 10/07/2018
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Entretanto, no Brasil, quando observa-se a questão de doentes mentais, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não necessariamente na prática. Tal problemática persiste devido à postura que o governo e a sociedade dão ao caso.
De acordo com o filósofo Aristóteles, a política, por meio da justiça, deve servir como um meio de alcançar o equilíbrio na sociedade. Com base nisso, é notório que a questão constitucional e a sua aplicação estão entre as causas do problema. No Brasil, até a reforma psiquiatra, as pessoas com algum tipo de doença mental eram tidas como ameaças à sociedade e eram encaminhadas para manicómios. Contudo, apesar do grande avanço pós reforma psiquiatra, ainda é notório o precário auxilio governamental observado na quantidade de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que não condiz com a demanda e a qualidade das unidades.
Outrossim, destaca-se a sociedade como impulsionadora do problema. A população brasileira é carregada de preconceitos contra pessoas com psicose, palavras como: louco, débil mental e retardado para se referir ao doente mental e piadas ofensivas são exemplos. Além disso, tal postura da população acarreta o isolamento do doente e outras doenças que prejudicam sua vida, a depressão, por exemplo.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, a Receita Federal deve destinar uma parcela dos impostos arrecadados para a construção de novas unidades do CAPS, com intermédio do Poder Executivo, promovendo o melhor atendimento à todos que necessitam do serviço. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate ao preconceito contra doentes mentais, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.