A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 11/07/2018
De um simples moinho de vento ao imaginário de dragões - essa é a cena épica da obra “Dom Quixote de La Mancha”, do autor Miguel de Cervantes, na qual são frisadas as alucinações do personagem-título, incompreendidas, muitas vezes, por seu companheiro Sancho Pança. Hodiernamente, essa situação caricaturada é preocupante, visto que a incompreensão do corpo social no que diz respeito aos distúrbios psiquiátricos associa-se diretamente à dificuldade na inserção social do indivíduo acometido, tal como ao índice cada vez menor de pessoas que se submetem a tratamentos neurológicos, sendo necessário, dessa forma, um maior debate sobre essa realidade.
A priori, é notória a necessidade de debater o tema, a fim de promover a inclusão do indivíduo. Nesse viés, destaca-se Sheldon Cooper, personagem principal do seriado americano “The Big Bang Theory”, casado, com diversas amizades e portador de vários sintomas do espectro autista, mostrando que as limitações impostas pela doença mental não o impedem de estabelecer vínculos sociais. Entretanto, a abordagem insuficiente e o pouco conhecimento por parte da população no que diz respeito aos transtornos psicológicos são fatores que dificultam a criação desses laços, uma vez que, por apresentarem uma visão estereotipada ou não saberem lidar com indivíduos portadores de distúrbios, muitos são os que se afastam dessas pessoas.
Em segunda instância, convém ressaltar que a taxa de brasileiros com transtornos mentais é crescente e preocupante. Nesse âmbito, pesquisas da Organização Mundial da Saúde mostram que o Brasil ocupava a quinta posição entre os países com maiores índices de depressão e ansiedade no ano de 2017. Contudo, segundo a mesma fonte, menos de 10% dos indivíduos que precisam de tratamento submetem-se a ele, por conta do preconceito contra os portadores de distúrbios mentais, aumentando, assim, a chance de ocorrência de práticas que precisam ser extintas, como o suicídio.
Urge, portanto, a adoção de medidas que solucionem o impasse. Destarte, cabe à mídia, como formadora de opinião, abordar os diversos tipos de doenças mentais, bem como a necessidade de tratá-las, por meio da criação e exibição de campanhas que visem familiarizar a população com as características das síndromes, a fim de proporcionar maior conhecimento e acabar com a intolerância existente. Outrossim, convém que o Governo invista na contratação de psicólogos e psiquiatras que atentam pelo Sistema Único de Saúde, de modo a garantir o acesso universal e a possibilidade de todo brasileiro tratar transtornos mentais gratuitamente, para que desse forma, o índice de distúrbios no país diminua. Quem sabe assim, as barreiras enfrentadas por esses indivíduos deixem de ser enormes dragões e assemelhem-se, cada vez mais, a simples moinhos de vento.