A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 22/07/2018
No livro “Cemitério dos Vivos”, o pré-modernista Lima Barreto critica a péssima condição dos hospícios de sua época, denunciando o hostil tratamento destinado às pessoas com doenças mentais. Hodiernamente, esse tratamento se tornou mais humano por parte das instituições, todavia, o preconceito da sociedade com esses indivíduos está longe de deixar de ser um senão. Nesse sentindo, urge debater as doenças mentais, seja pela recorrência dessas na sociedade, seja pela banalização das mesmas.
As novas configurações das relações interpessoais, a princípio, colaboram para as doenças da mente. Consoante Zigmunt Bauman, sociólogo polonês, o advento da tecnologia e do capitalismo favoreceu o distanciamento entre os seres humanos e a liquidez dos vínculos sociais. Por conseguinte, observa-se um estado de incerteza existencial e medo do futuro que contribuem, indubitavelmente, para o aumento do número de casos de depressão e outras enfermidades psicológicas. Destarte, essas se tornam uma realidade da sociedade, e, como tal, necessita ser discutida, afim de ser desmistificada, haja vista o preconceito da sociedade. Tal preconceito é notório na repulsa aos profissionais da saúde mental, psicólogos e psiquiatras, e aos medicamentos, vistos como “coisa de louco”. Isso dificulta o tratamento e o enfrentamento desse senão.
Outrossim, é evidente que essas doenças não recebem a seriedade ideal e muitas vezes são ridicularizadas e banalizadas. Só para exemplificar, pode-se observar nas redes sociais a enorme quantidade de páginas humorísticas que utilizam a “depressão”, a “ansiedade” e outras patologias mentais como humor apelativo, as quais são incorporadas como algo banal pelo que Émile Durkheim afirma ser a consciência coletiva. Caso fossem tratadas como as demais moléstias humanas - câncer e AIDS, por exemplo, poderia ser obtido a sensatez dos indivíduos e o respeito aos cidadãos acometidos por elas.
Diante do que foi discutido, é imprescindível o debate das doenças mentais pela coletividade. Para isso certas medidas podem ser tomadas por algumas esferas sociais. Em princípio, o Ministério da Saúde, por meio da vinculação de propagandas nas mídias de massa, incorporar na consciência coletiva a importância do respeito às enfermidades psicológicas, visando a desmistificação do tratamento e o fim das imposições de “coisas de louco”. Cabe, por sua vez, às escolas a discussão dessa realidade nas salas de aula, por intermédio de projetos do Ministério da Educação, objetivando o olhar crítico sobre a banalidade dessas moléstias e a necessidade de sensatez humana. Em suma, poderíamos obter a melhora desse sitema e da condição dos indivíduos afetados.