A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 30/07/2018
A marginalização e o preconceito relativos às doenças mentais não são problemas de origem recente. Durante a Antiguidade, na Grécia Antiga, doentes mentais eram tratados como seres inferiores, sendo, muitas vezes, mortos por não se “encaixarem” na sociedade militar de Esparta. Nos dias atuais, a falta de debate acerca das doenças mentais, bem como a consequente falta de informação de muitas pessoas não só fazem com que a discriminação continue a assolar essa minoria, como dificultam a identificação e o tratamento desses transtornos pela população.
Nesse sentido, é indiscutível que a falta de debate acerca da questão contribui diretamente para a perpetuação da discriminação com as vítimas de transtornos mentais. A falta de informação faz com que muitas pessoas nutram uma concepção errônea, tratando os portadores de tais transtornos como indivíduos incapazes de conviverem em sociedade e de manterem uma vida normal, precisando ser isolados dos demais. Essa mesma noção fez com que, no século XX, em Minas Gerais, funcionasse o Manicômio de Barbacena, no qual inúmeros doentes mentais foram, durante décadas, torturados e tratados de forma desumana. Dessa forma, indubitavelmente, a falta de diálogo sobre tais transtornos faz com que ideais arcaicos e discriminatórios prevaleçam, mesmo que implicitamente, na sociedade.
Ademais, a discussão insuficiente, nas escolas e na mídia, acerca do tema, faz com que um grande número de brasileiros não possua conhecimento e discernimento suficientes para buscar ajuda, sendo que, muitos desses, não sabem como ter acesso ao tratamento e nem sequer, se são portadores de algum transtorno. Outrossim, doenças como a depressão e a ansiedade são constantemente banalizadas, em razão da falta de conhecimento a respeito da gravidade desses distúrbios. Desse modo, considerando a deficiência referente ao diálogo em torno da questão, bem como a ocorrência comum de casos no Brasil – 20% dos adultos tendem a sofrer de doenças mentais em algum momento da vida, segundo o G1 – , faz-se necessária a tomada urgente de medidas.
Portanto, buscando a atenuação do impasse, uma campanha visando à ampliação do debate em torno da doença mental deve ser realizada. Para tanto, o Governo Federal deve instituir, nas escolas, aulas semanais, ministradas por professores capacitados, que tratem da questão, a fim de informar os alunos acerca dos transtornos, de como identificá-los e da importância de serem tratados. Ademais, o projeto deve contar com a criação de anúncios televisivos, a fim de orientar as pessoas sobre como e onde devem buscar ajuda para a realização do tratamento. Com essas medidas, o debate a respeito das doenças mentais será ampliado e, por conseguinte, a concepção dos brasileiros acerca da questão tornar-se-á cada vez mais distante dos ideais espartanos.