A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 11/08/2018

Na série ‘’13 reasons why’’ discorre sobre as consequências da instabilidade mental. Nela, a personagem Hanna Baker narra os treze motivos que levaram ela a cometer o suicídio, dentre eles, a depressão. Análogo a isso, milhares de pessoas no Brasil padecem os mesmos problemas de Hanna, sendo que muitas delas não são enxergadas pelas esferas sociais. Ora, debater as doenças mentais ainda é um discurso invisível e banalizado.

Nessa perspectiva, o preconceito enraizado na sociedade é um entrave para o debate a respeito das doenças mentais como a depressão, ansiedade, distúrbios de bipolaridade e esquizofrenia. Conforme o autor Léo Cruz, o preconceito está na maldade de quem vê, e na ignorância de quem acha que sempre está com a razão. Nessa lógica, parte da população define estereótipos aos portadores de doenças mentais de que são loucos, não possuem nada para fazer ou mesmo é uma ‘’frescura’’, assim o indivíduo se sente desamparado por sua família ou amigos, dificultando a procura de ajuda. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta 5,2% da população brasileira. De fato, enquanto essa estigmatização existir melhorar a saúde mental será uma ação inócua.

Ademais, os investimentos insuficientes constituem um obstáculo no enfrentamento dessa problemática. A falta de infraestrutura básica dos órgãos de atendimento como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), uma quantidade ínfima de profissionais e a dificuldade de agendar uma consulta impedem que o paciente continue ou inicie o tratamento, o que agrava ainda mais o quadro de saúde mental. De acordo com os dados da Secretaria Municipal de Saúde só existe um CAPS para cada 150 mil brasileiros. Logo, o Governo deve destinar mais verbas para ampliar e melhorar a infraestrutura do CAPS, com o objetivo de atenuar o número de pessoas com problemas mentais.

Superar, portanto, as barreiras atitudinais e estruturais requerem desafios. Para isso, é necessário que as escolas promovam debates e reuniões em grupos entre professores, psicólogos, pais e alunos a respeito das doenças mentais, afim de quebrar estereótipos e preconceitos, assim os familiares e jovens passarão a ajudar o doente mental e não criticá-lo. Outrossim, a Secretaria de Comunicação Social (SECOM) deve realizar campanhas publicitárias nos principais veículos de comunicação, televisão e internet, informando a população sobre os riscos das doenças mentais, com o intuito de desmitificar que a doença mental é algo banal.