A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 05/08/2018

O livro Holocausto Brasileiro de Daniela Arbex, traz a história do sanatório de Barbacema em Minas Gerais, no qual mais de 60 mil internos morreram, na década de 60, vítimas de maus tratos e omissão do Estado e da sociedade. Entretanto, apesar de todo avanço, o preconceito e a exclusão social persistem e são entraves para a manutenção desses indivíduos na sociedade, segregando-os. Assim, o combate a essa problemática ainda é um desafio.

Tal fato é resultado do estigma social que cercam as doenças mentais. Sob essa ótica, a discriminação aliada à cultura manicomial, que encarcera o paciente, ainda persistem e a desconstrução dessa perspectiva é fundamental para desfazer a ideia de que uma pessoa com transtorno psíquico é incapaz. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2002 a 2015 houve redução de 51,3% no número de leitos em hospitais psiquiátricos. Logo, a luta antimanicomial não pode parar.

Ademais, segundo Émile Durkhein, o fato social é um fenômeno caracterizado por ações e pensamentos exteriores ao indivíduo. Analogamente, o bullying protagoniza entre crianças e jovens uma ameaça, já que em busca de aceitação social, terminam por sofrer danos físicos e psicológicos e muitas vezes  desenvolvem transtornos, aproveitando-se da sua fragilidade emocional, podem ser alvos de jogos como baleia azul, por exemplo, que incitam o suicídio. Desta forma, o problema é de todos.

É preciso investir, portanto, na desmistificação dos transtornos psíquicos. Nesse sentido, o Ministério da Educação em parceria de Estados e municípios devem disponibilizar psicólogos nas instituições de ensino, tornando obrigatório a realização de uma avaliação psiquiátrica anualmente pelos discentes, com o intuito de diagnosticar precocemente alguma alteração. Além disso, o Ministério da Saúde deve ampliar os CAPS(Centro de Atenção Psicossocial) para todos os municípios, os auxiliando na implementação, para que toda a população seja efetivamente assistida. Afinal, parafraseando Platão:O importante não é viver, é viver bem.