A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 07/08/2018

O livro Holocausto Brasileiro de Daniela Arbex, traz a história do sanatório de Barbacema em Minas Gerais, no qual mais de 60 mil internos morreram até a década de 60, vítimas de maus tratos e omissão do Estado. Entretanto, apesar de todo avanço o preconceito e a exclusão social, persistem como entraves para  o adequado tratamento e acaba por os segregar. Assim, o  combate a essa problemática ainda é um desafio.

Tal fato é resultado do estigma social que envolve os transtornos psíquicos. Sob essa ótica, a cultura manicomial amplamente difundida na sociedade, que trata o individuo portador de algum transtorno como incapaz, figura como principal empecilho na orientação das famílias e do paciente acerca da aceitação do tratamento, transformando o assunto em tabu e dificultando o diálogo essencial para o reconhecimento dos sinais e sintomas. Segundo o jornal O Globo 30 % dos jovens brasileiros possuem algum transtorno que pode levar a depressão. Logo, a discussão acerca dessas doenças e o combate ao preconceito são fundamentais.

Ademais, segundo Émile Durkheim o fato social é um fenômeno caracterizado por ações e pensamento exteriores ao individuo. Analogamente,a necessidade de aceitação social, associado a dificuldades de pertencimento a um grupo, levam o individuo a recorrer a medidas extremas como forma de diminuição desse sofrimento, nesse campo figura o suicídio, que teve um aumento de 10 % nos casos de 2002 a 2014 no País, segundo o Ministério da Saúde. Desta forma, o problema é de todos.

É preciso investir, portanto, na desmitificação dos transtornos mentais.Nesse sentido,o Ministério da Educação e as secretarias municipal e estadual devem disponibilizar psicólogos nas escolas, e a realização de uma avaliação psicológica pelos discentes ao ano, com o intuito de diagnosticar precocemente qualquer alteração.Além disso, o Ministério da Saúde deve ampliar os CAPS(Centro de Atenção psicossocial)para todos os municípios, garantindo que toda a população seja efetivamente assistida. Para que realmente a tragédia de Barbacema fique no passado.