A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 07/08/2018

Na contemporaneidade, os casos de distúrbios mentais são, cada vez mais, recorrentes e a necessidade de colocá-los em pauta persiste. Isso se deve, sobretudo, à ineficiência na execução de leis que asseguram indivíduos portadores desses transtornos, bem como à banalização desse assunto, por parte de pessoas desinformadas e, por vezes, enraizadas em um preconceito cultural. Nesse sentido, são necessárias ações conjuntas do Poder Público, da mídia e das instituições formadoras de opinião, visando à resolução desses problemas.

Em verdade, já existe um código jurídico, Lei Paulo Delgado, publicada em 2001, que aborda e institui a proteção a portadores de doenças mentais, garantindo assistência à saúde desses civis. No entanto, além de não ter sido regulamentada, a lei não é levada em consideração em grande parte do Brasil, haja vista as estimativas da ONU de que mais de 20 milhões de pessoas sofrem com esse tipo de enfermidade, agravada pela falta de tratamento no País. Consoante isso, é perceptível que tal parcela da população, posta às margens da sociedade, além de não receber atenção para se recuperar, também ocupa uma lacuna a ser preenchida por ofertas de políticas reabilitadoras.

Ressalta-se, ainda, que as psicopatologias, como a depressão e o transtorno bipolar, são vistas, por vezes, com preconceito e desprezo. A exemplo disso, pode ser citado o seriado americano, “13 Reasons Why”, cujo enredo retrata o drama de uma adolescente que comete suicídio, justificado pela pressão exercida sobre ela no ambiente escolar e pelos indícios de doenças mentais, desconsiderados por pais e professores. Nessa perspectiva, é notório que essa situação transpassa o mundo cinematográfico e é refletida na vida real, na qual muitos sujeitos são rotulados como loucos e são excluídos do convívio social. Desse modo, faz-se necessário o envolvimento de bases formadoras que desmistifiquem o cenário que se mostra insuficiente para auxiliar e dar suporte a esses que sofrem com distúrbios psicológicos.

Diante disso, é essencial que impasses sejam revertidos. Para tanto, o Poder Público, em parceria com o Ministério da Justiça, deve regulamentar as leis que protegem pacientes com doenças mentais, além de investir em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a fim de ampliar o acesso à população e à reabilitação, por meio de tratamentos com profissionais capacitados. Ademais, os veículos midiáticos, juntamente as instituições de ensino, têm a responsabilidade de realizar campanhas que repercutam informações sobre as psicopatologias e combatam qualquer tipo de preconceito, com o fito de mostrar disponibilidade para apoiar aqueles que sofrem com traumas, maus tratos e exclusão. Só assim, consolidar-se-á o desejado progresso coletivo.