A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/08/2018

Segundo o sociólogo alemão Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida” de 1999, as relações sociais hodiernas são marcadas pela ausência de solidez e durabilidade, o que gera uma reação em cadeia de ansiedade e angústia, resultando no surgimento de diversas psicopatologias. Nesse sentido, é imperativo que haja a necessidade do debate sobre doenças mentais e seus efeitos. Desse modo, destaca-se o poder de atuação governamental frente a tal questão.

Com efeito, a discussão sobre distúrbios psíquicos no Brasil é uma prática recente. Mesmo após a criação do Sistema Único de Saúde Brasileiro em 1988, tais patologias não eram direcionadas para as práticas de promoção, prevenção e recuperação da saúde, segundo as diretrizes da Lei nº 8080/90. Sendo assim, a banalização de distúrbios mentais como a depressão e ansiedade se tornou corriqueira. Dessa forma, deve-se haver um trabalho de divulgação ampla sobre a seriedade das consequências dessas doenças.

Nesse aspecto, os distúrbios psicológicos podem levar ao desencadeamento de suicídios, variações de estado comportamental e somatização de vários tipos de câncer. Portanto, o estabelecimento de medidas instrutivas direcionadas a toda população, resultaria no que os filósofos iluministas do século XVIII chamaram de conhecimento libertador, uma vez que o saber incute criticidade e diminui a banalização causada pela falta de informação. Tais práticas educativas atreladas ao campo midiático teriam o poder de alcançar grande parcela da sociedade.

Diante dos argumentos supracitados, cabe ao Governo Federal, mediante o Ministério da Saúde em consonância com veículos de comunicação, a implantação de propagandas midiáticas que explanem as causas e efeitos das doenças mentais. Nesse ponto de vista, tal medida ocorreria através da inserção de comerciais informativos nos canais de televisão aberta, bem como nas redes sociais oficiais do governo e em jornais e revistas impressos ou eletrônicos. Assim, esses comerciais trariam profissionais da saúde instruindo sobre patologias psicológicas e direcionando a população para o atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial de todo o país. Tal medida teria a finalidade de divulgar a seriedade da problemática e transmitir à população a solidez da segurança do bem estar, confluindo com as ideias de Bauman para a construção de uma segurança em saúde que possa reverter o quadro da expansão das psicopatias na sociedade brasileira.