A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 22/08/2018

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa não só o preconceito relacionado a saúde mental, mas como também a falta de conhecimento sobre o assunto, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constado na teoria mas não na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Nesse sentido, convém analisar-se as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

Segundo a ONU, cerca de 23 milhões de pessoas no Brasil sofrem com algum tipo de transtorno mental, e cerca de 75% desses indivíduos não recebem tratamento adequado. É relevante notar que, grande parte dessa pessoas que não são diagnosticadas, nem mesmo chegam a buscar ajuda profissional, uma vez que a banalização desses transtornos  os tornam alvo de piada, como no caso de páginas do facebook que utilizam o termo depressão em seus nomes (faculdade da depressão, vestibular da depressão, entre outros), como algo engraçado, mas infelizmente, a depressão é uma doença tão séria quanto o câncer. Sendo assim, a sociedade deve ser educada para que doenças mentais tenham o mesmo respeito e importância que doenças físicas.

Além disso,  transtornos mentais muitas vezes são vistos como algo inexistente, e de pouca relevância para a saúde do indivíduo, como em diversos casos de depressão, em que pessoas mais próximas acham que é apenas “frescura” e não uma doença séria, que pode levar a morte. Tal imparcialidade, foi relatada na série 13 reasons why, onde uma menina, após sofrer diversos traumas e estar com depressão, tira sua própria vida. Essa série, teve grande repercussão nas redes sociais, chocando várias pessoas, pela forma explícita com que trata as consequências de uma doença mental não apenas negligenciada como também tão pouco abordada na sociedade.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Saúde deve investir mais em setores da saúde pública relacionados ao diagnósticos de doenças mentais, para que haja maior acompanhamento médico com foco em transtornos mentais, o que irá garantir tratamento correto para essas doenças mentais, melhorando a vida de diversas pessoas. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos que debatam a importância do conhecimentos sobre as doenças mentias, a fim de que o tecido social de desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.