A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 23/08/2018

O filme brasileiro “Nise: O Coração da Loucura”, dirigido por Roberto Berliner, retrata as violências sofridas por pacientes em um hospital psiquiátrico do século XX. Contudo, essa problemática não se restringe à ficção, uma vez que, no Brasil contemporâneo, muitas pessoas com a saúde mental abalada são negligenciadas e, até mesmo, violentadas dentro e fora dos centros de saúde. Nesse contexto, é fundamental analisar como a ineficiência de políticas públicas e o preconceito atuam na manutenção desse panorama que afeta, diariamente, o bem-estar de muitos brasileiros. Em primeiro plano, é importante ressaltar que, embora a Constituição Federal de 1988 estabeleça que o acesso à saúde é um direito de todos e, também, um dever do Estado, as políticas públicas voltadas à saude mental, no Brasil, mostram-se contraproducentes. Essa conjuntura decorre, principalmente, do número reduzido de verbas destinadas à infraestrutura de clínicas e hospitais especializados no tratamento mental e, também, à oferta de medicamentos essenciais para a terapêutica do contingente populacional psicologicamente afetado. Como consequência dessa escassez de recursos, muitos indivíduos não recebem o diagnóstico correto e, quando diagnosticados, não têm condições de dar continuidade à terapia. Dessa forma, os brasileiros afetados por doenças mentais, tais como a depressão e a esquizofrenia, que dependem, exclusivamente, do SUS, não têm a garantia, na prática, de seus direitos e, muito menos, de sua vitalidade. De outra parte, convém frisar que, mesmo com a OMS afirmando que 1 a cada 10 indivíduos do mundo tenha algum distúrbio mental, a sociedade canarinha ainda apresenta atitudes preconceituosas no que tange aos doentes mentais. Esse cenário de discriminação resulta, de maneira geral, do desconhecimento, por parte da população, a respeito das causas e do tratamento das psicopatologias, haja vista que, como indicado por Kant e Lamarck, a educação e o meio, respectivamente, são fatores determinantes no comportamento humano. A partir dessa situação, as pessoas com doenças mentais sofrem, diariamente, com violências físicas e mentais, tanto dentro quanto fora de casa. Destarte, o grupo de indivíduos com transtornos mentais não têm, nem mesmo, o apoio de seus familiares para amenizar os efeitos dessas doenças. Fica evidente, portanto, que há uma defasagem entre direito e garantia, sendo necessárias medidas para intervir nessa situação problemática. Sendo assim, é imprescindível que o Ministério da Saúde, através do aumento de verbas destinadas aos setores responsáveis pela saúde mental, promova a melhora estrutural dos edifícios e dos corpos trabalhistas responsáveis pelo tratamento desses pacientes, além de ofertar medicamentos gratuitos àqueles que necessitam, a fim de garantir o o tratamento eficiente a todos. Além disso, é essencial que o Ministério da Educação, em parceira com a mídia, promova campanhas que informem e orientem a população sobre as doenças mentais, visando ao fim dos preconceitos e à garantia dos direitos expressos na Carta Magna. Somente dessa maneira, situações como a representada no filme conduzido por Roberto Berliner deixarão de ser realidade no território tupiniquim.