A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 29/08/2018

Na obra “O Alienista", de Machado de Assis, o protagonista Dr. Bacamarte afirma que: “A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é continente”. Embora date de séculos passados, a problemática das doenças mentais persiste inserida na sociedade brasileira. Diante disso, torna-se necessário analisar a influência tanto da isenção coletiva em negar o assunto quanto do desinteresse público em oferecer programas assistenciais.

Em primeiro lugar, é necessário destacar a banalização das doenças mentais por parte da sociedade como fator responsável pelas alarmantes taxas desses distúrbios no Brasil. Segundo Bauman, sociólogo polonês, o individualismo tornou-se característico do mundo moderno, ocupando o lugar do coletivismo e da solidariedade. Esse aspecto da sociedade contemporânea não só possui como reflexo o desinteresse da população em discutir e tratar as causas das psicoses, mas também resulta na ausência de profundidade no contato interpessoal, o que cria um extremo vazio íntimo e emotivo, tornando mais frequente a assiduidade das psicopatologias.

Outrossim, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema, manifestando-se na negligência governamental perante o acesso ao tratamento dos cidadãos com patologias mentais. A carência de um atendimento público especializado, capaz de discutir e cuidar do problema, evidencia o desinteresse do poder público em tratar as psicopatologias como um problema de saúde pública. Prova disso é que, de acordo com o Conselho Federal de Medicina, a oferta de leitos psiquiátricos no SUS diminuiu quase 40% em 11 anos. Diante disso, é notório o despreparo público acerca da prevenção e tratamento das psicoses, comprovando a ausência de redes capazes de proporcionar acolhimento ao sujeito e sua mazela.

Torna-se evidente, portanto, que as patologias mentais são um grave problema de saúde pública no panorama nacional. A fim de atenuar o problema, a mídia deve trabalhar a ideia da necessidade de discutir as doenças mentais por meio de campanhas publicitárias, com o intuito de estimular a empatia em toda a população. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde, a criação de núcleos de atenção psicológica primária, fornecendo profissionais qualificados e estimulando um tratamento baseado na comunicação entre pacientes diagnosticados com quadro semelhantes, favorecendo a desconstrução da ideia de superficialidade de relações. Ademais, é necessário que os grandes postos de trabalho disponibilizem aos seus empregados espaços de eliminação do estresse cotidiano,a exemplo de salas de descanso, atenuando a gênese de novos problemas nos funcionários. Assim, as taxas de doenças mentais amenizarão e será possível a construção de uma sociedade mais empática.