A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 04/09/2018
No início do século XX, foi criado na cidade de Barbacena em Minas Gerais o Hospital Psiquiátrico Colônia, palco de uma das maiores tragédias ocorridas no Brasil. Nesse manicômio, durante décadas, milhares de pessoas, com ou sem doenças mentais, foram mortas devido às condições desumanas, maus tratos e torturas na qual eram submetidas. Embora se tenha passado muitos anos e acontecido importantes avanços como a Reforma Psiquiátrica em 2001, os transtornos mentais ainda enfrentam diversos impasses na sociedade brasileira. Isso se deve, sobretudo, a negligência e discriminação do Governo e população, além da precaridade de recursos destinados às instituições de tratamento.
A priori, sabe-se que, as doenças mentais, responsáveis por provocar complexas alterações no sistema nervoso central, afetam mais de vinte e três milhões de pessoas no Brasil, segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde). Sobre esse viés, convém ressaltar que hodiernamente, a maioria dos brasileiros que sofrem de algum transtorno psíquico, bem como a depressão, ansiedade, compulsões alimentares, esquizofrenia e mal de alzheimer, são diariamente vítimas de preconceito, perseguições, chacotas e comentários maldosos. De acordo com com uma reportagem feita pelo G1 em 2017, psicólogos e psiquiátricas alegavam que a psicofobia, caracterizada pela hostilidade contra doentes mentais, era o principal obstáculo para o tratamento de diversos pacientes.
A posteriori, evidencia-se que a maioria das pessoas que necessitam de atendimento psiquiátrico, não procuram ajuda com vergonha de admitirem que possuem algum problema, por medo de serem internados em hospícios e pela falta de apoio dos familiares. Contudo, por outro lado, várias delas recorrem à organizações como a CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), destinada ao acolhimento e ajuda, sem internação, no processo de combate dos distúrbios existentes. Outrossim, observa-se a exclusão dos doentes mentais no eventos sociais e a negação no mercado de trabalho, visto que, mesmo muitos deles sendo ótimos profissionais, deixam de ser contratados por apresentarem um atestado que comprove um histórico de depressão ou bipolaridade.
Destarte, urgem sinérgicas políticas públicas entre o Governo, a mídia e a sociedade a fim de converter a problemática abordada. É imprescindível a promoção de ações como a disseminação de informações que colaboram para a conscientização da sociedade. Ademais, é fundamental a criação de instituições e nelas o investimento de recursos para um tratamento qualificado. Somado a isso, a família deve apoiar e dar suporte durante o processo de recuperação.