A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 01/10/2018

O filme Geração Prozac relata a história de uma estudante saudável, Lizzie, que aos poucos começa a desenvolver depressão devido a problemas familiares, e a partir disso passa a depender de remédios para lidar com a vida em coletividade. Semelhantemente a trama, muitos brasileiros enfrentam diariamente os efeitos de doenças mentais e a busca por tratamento no país. Todavia, a constante banalização dos transtornos configurada pela sociedade e os novos comportamentos do século XXI têm favorecido para o agravamento da problemática em questão.

Primeiramente, a banalização é um dos fatores que mais contribuem para o agravamento de psicoses. Isso pode ser observado por meio de páginas na internet, tal como “Graduação da depressão” e em comentários que abordam a bipolaridade de modo humorístico e comum às pessoas. Além disso, os paciente, geralmente, são tratados a partir de estigmas que consideram a doença apenas como uma fase, “frescura”, preguiça ou loucura. Tais fatores contribuem para o sentimento de exclusão do indivíduo, levando-o ao isolamento e em alguns casos, ao suicídio.

Ademais, as doenças mentais podem estar relacionadas aos novos comportamentos da sociedade do século XXI. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 9,2% dos brasileiros sofre com depressão e outros transtornos mentais, geralmente relacionados ao ambiente e hábitos pessoais. Isso pode ser exemplificado no uso excessivo de redes sociais, que geram uma visão deturpada do modo de vida, o que afeta principalmente adolescentes. Do mesmo modo, traumas, perdas familiares e brigas podem desencadear, conforme Sigmund Freud propôs, o inconsciente psíquico, no qual o indivíduo deixa de controlar a si mesmo e é entregue a profundos sentimentos pessoais, desencadeando os distúrbios mentais. Desse modo as relações contemporâneas contribuem para o aumento dos casos de doenças psíquicas, dificultam o tratamento dos pacientes e a vida em coletivo.

Tendo em vista os argumentos apresentados, faz-se necessário mudanças nas relações sociais. Para que isso ocorra, a família deve apoiar os pacientes e incluí-los socialmente, utilizando da inibição de julgamentos preconceituosos, estreitando as relações, devem cultivar momentos de lazer juntos e controlar o acesso a internet, principalmente de jovens e adolescentes, para que assim, o tratamento da doença e a  melhora sejam efetivadas. Além disso, a sociedade deve ser conscientizada sobre as doenças e efeitos da banalização. Para tal, as escolas devem realizar palestras, o governo, juntamente com ong’s, devem realizar campanhas sobre os transtornos mentais e veiculá-las principalmente nas redes sociais. Com tais mudanças, a sociedade poderá ser conscientizada, apoiará os doentes e contribuirá para a melhora da vida em coletividade dos brasileiros.