A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 22/10/2018
Um dos vilões mais famosos do mundo dos quadrinhos, o Coringa, ao ser pelo pelo Batman aterrorizando a cidade de Gotham é levado para um centro psiquiátrico para tratar seus transtornos de ansiedade e bipolaridade, onde conhece sua médica e futura parceira Arlequina. Fora dos gibis, contudo, no Brasil, indivíduos com transtornos mentais como o Coringa não recebem a devida atenção e são negligenciados pelo Estado e sociedade civil. Nesse sentido, apresenta-se uma grave problemática de saúde pública que suscita análise e ações interventivas.
Primeiramente, doenças psicológicas sempre existiram e eram até romantizadas por vários autores literatura em meados do século XVIII. No entanto, verifica-se gradativo aumento de ocorrências de depressão, ansiedade, bipolaridade e esquizofrenia no país. Tal fato pode ser relacionado ao contemporâneo dia a dia acelerado, a qual as pessoas estão frequentemente estressadas com as obrigações e são pressionadas a ter sucesso profissional. Além disso, seguindo o pensamento de Zigmunt Bauman da modernidade líquida, está cada vez mais difícil criar relacionamentos afetivos fortes e duradouros, o que afeta diretamente a condição mental dos indivíduos.
Segundo a Organização da Saúde(OMS), saúde significa o completo bem estar físico, social e menta. Entretanto, apesar de o dever de oferecer assistência aos cidadãos com doenças mentais esteja presente na Constituição Federal, no país a falta de recursos para esse setor e o descaso governamental é uma infeliz constante que deixa milhares de indivíduos desamparados, resultando em uma taxa de 7,4 a cada 100 mortes ser suicídio, de acordo com a OMS. Outrossim, questões psicológicas ainda são tratadas como tabu pela sociedade, visto que as pessoas não falam sobre isso nas escolas e nem entre familiares, não raras vezes, por vergonha e outras fingem que o problema não existe, o que corrobora a resiliência do mesmo.
Em face do exposto e de forma análoga ao ideário de Augusto Comte, a qual precisamos " ver para prever e prever para prover", ao evidenciar a voracidade da questão, torna-se imprescindível medidas efetivas que garantam a assistência e inclusão na sociedade dos cidadão com transtornos psicológicos. Dessa forma, em primeiro lugar, o Ministério da Saúde deve intensificar os investimentos na área de tratamento a doenças mentais, sobretudo, mediante ampliação dos Centros de Ação Psicossocial(CAPS). Ademais, é mister que a mídia vincule campanhas publicitárias que informem a população sobre a existência dessas doenças e como procurar tratamento. E, por fim, faz-se fundamental a introdução do tema nas escolas por meio de debates e palestras, para que os jovens aprendam a ajudar e receber ajuda em caso de contato com tais transtornos.