A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 09/10/2018

Na antiguidade, Hipócrates -considerado pai da medicina- formulou a “teoria humoral”, a qual classificava o estado de melancolia como resultado do excesso de “bílis negra” no organismo. Hodiernamente, sabe-se que fatores sociais influenciam no surgimento de doenças mentais, as quais surgem com o desequilíbrio de neurotransmissores. Nessa conjuntura, o contexto laboral atual é propiciador para o surgimento dessas doenças, as quais sofrem preconceitos sociais marcantes.

A princípio, assevera-se que o moderno contexto de divisão do trabalho intensifica a manifestação de doenças mentais. Isso é estimulado pelo crescente estimulo ao aumento da produtividade de empregados por empresas que, apesar cumprirem as diretrizes de segurança do Ministério do Trabalho, não satisfazem as necessidades de realização pessoal, as quais foram estabelecidas pelo psicólogo Abraham Maslow. Assim, o não  atendimento dessas necessidades, as quais se situam no nível psicológico, pode ser um fator de estimulo ao surgimento de doenças mentais no trabalho.

Além disso, transtornos mentais alteram as relações socioespaciais do indivíduo. Isso é propiciado pela exclusão social -motivada pelo preconceito- da qual são vítimas os enfermos mentais, que, muitas vezes, são tratados como desajustados e incapazes de manter relações com a sociedade. Nesse aspecto, Freud em sua obra “Luto e Melancolia” afirma que o indivíduo melancólico tem inibida toda e qualquer atividade. Por isso, o tratamento excludente manifestado pela sociedade não contribui para a recuperação ou inserção do doente mental, o qual, muitas vezes, sofre um processo de reclusão e punição autoimpostas.

É mister, portanto, atuar para minorar o número de casos de transtornos psiquiátricos no ambiente de trabalho e inserir na sociedade os indivíduos afetados. Para isso, é necessário proteger a saúde dos trabalhadores, mediante a avaliação psiquiátrica periódica, a qual deve ser patrocinada pelas empresas, com o objetivo de identificar e sanar atividades e comportamentos que propiciem o surgimento de doenças mentais. Além disso, a inclusão do doente mental no contexto social deve ser fomentada pelo Ministério da Saúde, o qual deve realizar campanhas esclarecedoras nas empresas e mídias de comunicação, com o fito de dirimir o preconceito social latente. Com isso, o portador de transtorno mental, quando possível, terá chances de recuperação e incentivos à socialização.