A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 09/10/2018
Na 2ª fase do Romantismo no Brasil, o suicídio era visto como uma forma de fuga da realidade, já que era retratado, muitas vezes, como um alívio. Contemporaneamente, no país, cabe debater acerca das doenças mentais, problema que afeta boa parte da população. Nesse contexto, é necessário um olhar diferenciado aos jovens e ao descaso estatal nesse sentido.
Em uma primeira análise, a alta incidência de doenças mentais, sobretudo entre jovens e adultos, tem ligação direta com a modernidade. Isso porque, desde o início das Revoluções Industriais, o mundo presenciou uma mudança na velocidade das relações pessoais e de trabalho, o que teve como consequência o desgaste psicológico de grande parte da população. Nesse sentido, é válido ressaltar que 20% dos adultos tendem a sofrer algum transtorno mental durante a vida, segundo o Manual Marck de Informações Médicas. Isso se deve, principalmente, à pressão exercida pela sociedade, já que os indivíduos sofrem com a coerção e tem que se adaptar a esse novo modelo estabelecido na Revolução Industrial, o que gerou a ansiedade e a depressão como doenças bastante recorrentes no século XXI. Tal conjuntura necessita, com acentuada urgência, de uma mudança.
Outrossim, segundo o filósofo suíço Jean Jacques Rousseau, é dever do Estado garantir os direitos fundamentais à vida para a sociedade. Indubitavelmente, o descaso estatal no que se refere à prevenção e ao tratamento de doenças mentais no Brasil vai de encontro à ideia de Rousseau. Isso porque o atendimento do Sistema Único de Saúde(SUS) voltado aos transtornos psicológicos - especificado pelos Centros de Atenção Psicossocial(CAPS) - ainda é deficitário e não abrangente, tendo em vista que 75% a 85% da população não tem o pleno acesso ao tratamento de doenças mentais, segundo a ONU. Além disso, o Governo não investe na prevenção dessas patologias, o que agrava esse cenário, já que a sociedade fica vulnerável e desinformada acerca dos transtornos. Dessa maneira, é necessária uma intervenção do Estado nessa conjuntura.
Urge, portanto, que medidas sejam implementadas para mitigar a prevalência das doenças mentais. Nesse sentido, o Estado deve criar políticas públicas de prevenção e tratamento desses distúrbios psicológicos. Essas ações devem ser concretizadas por meio da implementação de mais CAPS no país, sobretudo nas grandes cidade e em locais de fácil acesso, visando a maior abrangência desse recurso e possibilitando um atendimento gratuito e especializado. Além disso, a Mídia, em parceria com o Ministério da Saúde, deve promover uma campanha publicitária de conscientização e informação da população, que seja divulgada na televisão, em horário nobre, abordando as patologias e suas características, aliada à necessidade de buscar um tratamento médico.