A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 12/10/2018

Em meados do século XVII, antes de Freud desvendar a psicanálise e os distúrbios da mente, aqueles que os possuíam eram considerados loucos, degredados e punidos com crueldade. Todavia, mesmo com o avanço da medicina psiquiátrica, as pessoas com doenças mentais ainda sofrem preconceito e estereotipação. Isso se dá tanto pela falta de elucidação social sobre o assunto, quanto pela atuação negligente do Estado.

Conforme elucida Goethe: “não há nada mais assustador que a ignorância em ação”. De maneira análoga, verifica-se que o desconhecimento sobre os sintomas, causas e tratamentos das anomalias psicomentais, bem como a escassez de informações veiculadas na mídia tangente ao assunto abordado, cria lacunas na mente dos indivíduos, os quais, levados pela nescidade intelectual, estigmatizam os doentes mentais pela aparente “fraqueza” diante dos problemas vivenciados. Nesse sentido, o preconceito se manisfesta de forma oculta por meio da chamada psicofobia (julgamento negativo aos anômalos mentais), e desse modo, os que possuem tal fraqueza preferem se esconder sem manifestar o problema, temendo rejeição coletiva.

Adicionalmente, é necessário mencionar a ineficiência governamental no combate a esse tipo de preconceito. Nessa perspectiva, Thomas Hobbes defende que o Estado é o principal agente responsável por manter a coesão e estabilidade de um povo. Destarte, é indubitável que não há uma conscientização devida sobre a questão das doenças psicológicas, nem tampouco existe um auxílio preparatório às pessoas diagnosticadas com o problema. Diante desse entrave, muitos desconhecem doenças como a esquizofrenia e o transtorno bipolar. Logo, o diagnóstica fica inviável, posto que os sintomas são ignorados pela maioria dos doentes que sequer compreendem a anomalia sofrida. Nesse contexto, o portal de notícias UOL traz o Brasil estagnado na 79ª posição do ranking global de Desenvolvimento Humano, o que corrobora a inércia do Estado frente a problemas sociais.

Portanto, fica claro que o tabu contra as doenças mentais deve ser combatida na sociedade hodierna.Na visão de Peter Drucker, “não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo.” Assim, para reverter esse cenário, cabe ao Governo Federal, atuando por meio das principais emissoras de televisão do país (em troca de isenções fiscais), veicular uma campanha combatendo o pré-julgamento aos deficientes psíquicos, por meio da veiculação de imagens, vídeos e conteúdos informativos sobre as causas e tratamentos dos transtornos psicológicos. Ademais, o Ministério da Saúde deve criar um setor nos hospitais públicos e postos locais, especializado em tratar anomalias de origem cognitiva, a fim de desfazer o estigma imposto e promover qualidade de vida a todos os doentes tratados.