A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 15/10/2018

Tratado como louco em sua época, Van Gogh não era compreendido pelas pessoas a sua volta e sofria preconceito. Ele não era “louco”, porém sofria de transtornos mentais e apesar de ajuda médica, os tratamentos sobre o tema ainda eram escassos. Hodiernamente, com o avanço da medicina e o surgimento da psicologia, muitas doenças mentais já foram desmistificadas e esclarecidas, no entanto, o preconceito da sociedade perante essas pessoas ainda se faz presente. Desse modo, é necessário um debate sobre a problemática e alternativas para combatê-la.

Em primeira análise, parafraseando o escritor William Hazlitte, o preconceito é filho da ignorância. Dessa forma, observa-se que a falta de informações e o estigma historicamente enraizado na sociedade são os principais fatores que contribuem para discriminação dos doentes mentais. Tais fatores dificultam a vida dessas pessoas de diversas formas, como na exclusão em processos seletivos do mercado do trabalho, exclusão social e até na falta de aceitação consigo mesmo, por se sentirem inadequados e “errados”.

Em segunda análise, evidencia-se que tal conjuntura é ainda intensificada devido a negligência governamental. Visto que, apesar da Reforma Psiquiátrica implementada no Brasil em 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. É notório que na prática esse projeto é vilipendiado, em razão da decadência dos atendimentos públicos psiquiátricos aliados à falta de divulgação e informações sobre o assunto, que corroboram  para insolubilidade do problema.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para reverter essa situação. Sendo assim, é imperativo que o Governo Federal dedique parte expressiva das verbas arrecadadas pelo Estado para investir no setor de saúde mental, no sentido de realizar campanhas de divulgação e conscientização sobre o assunto, por meio das mídias sociais, como rádios, televisão e internet, a fim de elucidar e desmistificar certos receios populacionais. Ademais, é necessário investir na qualidade e na ampliação dos serviços de atendimento público psicológico já existentes, como as CAPS - Centro de Atenção Psicossocial - que oferecem auxílio à população, porém sofrem com a falta de recursos públicos direcionados a elas.