A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 18/10/2018
A obra O Alienista, de Machado de Assis, debate a tênue fronteira entre a racionalidade e a loucura. Na vida real esses limites sutis somam-se à fatores como preconceito e desinformação, ainda presentes em muitas pessoas. Como consequência deles, a busca por ajuda especializada frequentemente é postergada e assim os diagnósticos, quando chegam a existir, tendem a ser tardios e com menores chances de cura ou melhora. Desconstruir o preconceito é um desafio a ser superado para promover uma vida digna e combater a exclusão social as pessoas portadoras de doenças mentais.
A atual situação do Brasil no tratamento de transtornos mentais é precária, possivelmente reflexo de políticas públicas ultrapassadas que existiram até recentemente e, ainda nos anos de 1980, mantinham em funcionamento manicômios onde os pacientes eram submetidos a tratamentos que, além de inadequados, eram desumanos.
Segundo novas políticas, os leitos manicomiais estão sendo substituídos, gradativamente, por Centros de Atendimentos Psicossociais (CAPs). Contudo, a substituição depende de um processo de negociação e sincronia entre o governo federal e estadual, ditando um ritmo que demanda esforço e tempo para ser ajustado, sustentando a espera e a angústia de pacientes e familiares.
Para minimizar o estigma e traumas das abordagens inadequadas, os cidadãos devem pressionar os representantes do poder executivo federal e estadual para que priorizem ações em favor da saúde mental, da dignidade humana e do amparo aos doentes e familiares. O tratamento deve ter qualidade, abrangência, contar com infraestrutura adequada, profissionais habilitados, capacidade e prontidão para os atendimentos. Nesse sentido, novos CAPs devem ser construídos e as unidades devem receber os recursos suficientes para funcionar bem e conquistar credibilidade. Por sua vez, o Ministério da Saúde deve garantir o fornecimento dos medicamentos que forem necessários para o tratamento das pessoas doentes.