A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 31/10/2018

O conto O Alienista, de Machado de Assis, aborda a criação do primeiro manicômio de Itaguaí, a recepção social desse e o desenvolvimento do primeiro estudo psicanalista no município. Analogamente, a obra literária retrata a necessidade de tratamentos especializados para pessoas que desenvolvem distúrbios psíquicos. Entretanto, os manicômios não estão associados à melhor alternativa de análise clínica, uma vez que tornam-se locais de experimentos abusivos e maus tratos, como explicitado na literatura e na história brasileira. Dessa maneira, infere-se a prioridade da otimização dos debates sociais relacionados a psiquiatria, a fim de fomentar análises clínicas para entender e tratar doenças mentais, baseando-se na inclusão social.

Nesse contexto, os fatos históricos brasileiros tornam-se primordiais para compreender o passado e transformar o futuro da nação. Nas décadas de 1960 e 1970, o Hospital Colônia de Barbacena apresentou o holocausto brasileiro, visto que, em média, sessenta mil pessoas, diagnosticadas com transtornos mentais, foram mortas. Todavia, essas eram prostitutas, homossexuais, mendigos, pessoas sem documentos, entre outros grupos marginalizados na sociedade. Assim como na obra O Alienista, o diagnóstico desses pacientes foram baseados no etnocentrismo e não, na ciência. Com isso, entende-se que as doenças mentais devem ser analisadas e definidas socialmente, porquanto o uso incorreto e recorrente de uma palavra pode gerar novos significados, estigmas ou visões equivocadas. Assim, as diferenças em relação ao comportamento padrão-social podem ser aceitas no corpo social, em vez de excluídas por serem julgadas, inveridicamente, como doenças mentais.

Diante disso, os estigmas criados tornam-se obstáculos para o cuidado de transtornos psíquicos, já que a pessoa com distúrbio mental não identifica-se como alguém que necessita de tratamentos psicológicos. Nesse âmbito, a falta de conhecimento se encontra na forma como os indivíduos são atendidos e tratados e na forma como o transtorno é abordado. Dessarte, a difusão da informação depende, diretamente, da humanização dos transtornos ao corpo social. Por conseguinte, a discriminação é reduzida e o diálogo entre médico e paciente é facilitado.

O debate recorrente aos distúrbios mentais tornam-se, portanto, essenciais para a identificação e o tratamento desses. Ademais, a adoção de uma nova política de saúde mental, a qual proíbe termos depreciativos e cria novas nomenclaturas para transtornos psíquicos, pelo Conselho Federal de Medicina, é basilar para a aceitação social. Contudo, o respeito somente é alcançado com o incremento na comunicação e no diálogo entre médico e a sociedade, desmitificando o conceito de anormalidade e insanidade. Desse modo, seria possível conviver numa sociedade harmônica e inclusiva.