A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 23/10/2018
A vida contemporânea traz benefícios, mas também mazelas. As doenças mentais que afetam os personagens da obra “O ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, mimetizam a realidade mundial. Além da necessidade de estudo dos aspectos sociais envolvidos, há necessidade imediata da intervenção médica no controle de doenças mentais que afetam milhões de pessoas.
Indubitavelmente, as psicopatias são relevantes para a saúde pública. No final do século XX, o Japão reconheceu a necessidade de intervenção na área em virtude dos altos registros de suicídio, causados por doenças psíquicas. Paralelamente, a indústria farmacêutica colocava no mercado os primeiros ansiolíticos. Para muitos pesquisadores, esse posicionamento dos gestores japoneses foi o gatilho para o combate em massa e mundial das doenças mentais. O historiador Leandro Karnal afirma que não se pode acusar a cultura e estilo de vida ocidental pelas doenças, como muitos fizeram. O resultado veio do desequilíbrio dos princípios e valores de vida que a modernidade trouxe. Consoante dados oficiais do Ministério da Saúde, o Brasil não está ileso. Em 2017, mais de 10 mil pessoas cometeram suicídio. Assim como ocorreu no Japão, a maior parte da vítimas sofriam de depressão, ansiedade, transtorno de bipolaridade, isolamento social e outras enfermidades mentais que, a cada dia, recebem nomenclaturas diversas pelo investimento em pesquisas médicas na área. O número de fármacos contra as psicopatias teve investimento considerável para terem menor efeito colateral. Diferente dos primeiros tratamentos, os atuais medicamentos e terapias não isolam nem estigmatizam os doentes mentais no Brasil.
Todavia, diversos médicos clamam por cautela e equilíbrio. Os profissionais de saúde no Brasil estão diagnosticando em excesso as doenças mentais. Uma em cada cinco crianças menores de 10 anos fazem uso contínuo de medicação psicotrópica. Os números alarmantes poderiam ser maior se houvesse acesso mais facilitado da população ao sistema de saúde, conforme estabelece a Constituição Federal brasileira e a Lei 8.080, de criação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Dessarte, a sociedade como um todo necessita combater as doenças mentais como impactadoras na coletividade. Os gestores públicos devem investir em intervenções psicológicas na assistência em saúde de baixa, média e alta complexidade, como preconiza o SUS. Ademais, há de haver políticas públicas de sensibilização aos doentes em tratamento e não tratados em escolas, igrejas, locais de trabalho e lazer. Por fim, é preciso tratamento completo aos doentes - fármacos, terapias, leitos. Andrew Solomon, na obra “O demônio do meio-dia”, discorre sobre o complexo tratamento aos doentes por depressão. Para ele, a cura é um desafio à saúde pública, mas é necessário o investimento.