A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 23/10/2018

A estigmatização de doenças mentais, a qual é fruto de valores sociais e culturais moldados pelo o cristianismo, ajudou a transformar em tabu transtornos que segundo a Organização Mundial da Saúde, acometem 23 milhões de brasileiros. Por conseguinte, consolida-se como um grave problema de saúde pública por conta de uma negligenciação da sociedade, esta resultante de uma ausência de informatização, além da escassez de projetos das demais autoridades.

Inicialmente, constata-se que há um número crescente de pessoas com depressão, síndrome do pânico e fobias sociais,   por conta da dinamização do fluxo de informações e sua descartabilidade, que deixa o ser humano exposto a uma carga de ansiedade. Em suma, o sociólogo Émile Durkheim estava correto ao afirmar que a sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias, já que não há debates acerca da conscientização de doenças mentais, seja por um eufemismo ou por uma glorificação romantizada da morte, como visto na obra Romeu e Julieta, onde dois jovens se matam “por amor”.

Apesar de haver o Centro de Valorização da Vida (CVV), o alto custo de consultas e os baixos números de profissionais psíquicos na rede pública evidenciam alguns dos muitos obstáculos para o tratamento dessas enfermidades, ainda que sejam a porta de entrada para uma das três maiores causas de mortes de jovens no Brasil: o suicídio. Nesse sentido, a não regulamentação da Lei n° 10.216, que prevê proteção e direitos à pessoas portadoras de transtornos mentais, atua como um descaso para com o direito a saúde do cidadão.

Portanto, vê-se a problemática de doenças mentais como uma grave questão de saúde pública. Por isso, faz-se necessária uma ação da OMS, juntamente com o Ministério da Educação, em implantar aulas nas escolas sobre a importância da saúde mental, também, o Ministério da Saúde em tornar obrigatório o acompanhamento psicológico dos indivíduos em instituições acadêmicas e corporativas e por fim, a Associação Brasileira de Psicologia, em criar uma cúpula para atuar na criação de leis e na representatividade na mídia, incentivando personagens acometidos por depressão em novelas ou séries, com o objetivo de informar para quebrar o estigma acerca de doenças psicológicas.