A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 28/10/2018
400 milhões de pessoas no mundo sofrem de doenças e transtornos mentais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dentro desse cenário, o Brasil figura como o país mais ansioso da América Latina e, nos últimos 10 anos, o número de pessoas com depressão aumentou 18%. Contudo, a histórica banalização da questão e a negligência na oferta de tratamentos efetivos continuarão a retirar dos indivíduos o direito a uma vida com dignidade caso Estado e sociedade não ampliem os debates sobre as doenças mentais.
Consoante a sociologia kantiana, as regras sociais só se tornam regras as serem admitidas pelos indivíduos. Nesse sentido, o descaso com que as pessoas observam a condição mental de outrem fez do isolamento dos enfermos a norma. Isso porque, se por um lado até 1980 a politica pública adotada era o envio desses para os manicômios; por outro lado, ainda hoje, eles têm seus sentimentos trivializados e esses, quando não rotulados de efêmeros, permanecem como justificativa para restringir os enfermos do convívio social.
Acreditou-se, porém, que a sanção da lei Paulo Delgado em 2001 - a qual versa sobre os direitos desses pacientes e medidas a serem implantadas tendo foco na saúde mental- transformaria tal situação conferindo legitimidade à causa. Entretanto, devido à falta de pressão popular e à morosidade da União, não houve a regulamentação da ação. Por conseguinte, o número de núcleos de tratamento mentém-se baixo, como os Centros de Atendimento Psicossocial (CAPs) que estão presentes apenas em 11 estados no Brasil.
Portanto, é impreterível que o Estado e a sociedade civil atuem na popularização do debate sobre doenças mentais. O primeiro, por meio do Ministério da saúde, deve destinar maior volume de verbas aos governos estaduais para a implantação de CAPs e especialização dos profissionais. Isso para não somente aumentar no número de pacientes atendidos, mas também incluir familiares e amigos no processo fazendo deles agentes de conscientização da comunidade. Desse modo, a empatia funcionará como estímulo ao diálogo, consolidando a sociedade como uma ampla rede de apoio aos que sofrem de doenças e transtornos mentais e alterando o cenário atual, no qual esses tipos de enfermidade têm sido “o mal do século”.