A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 23/10/2018

Um passo para longe

Em seu filme “Melancholia”, o diretor Lars Von Trier demonstra, simbolicamente, a sensação de medo, angústia e solidão vividos pela personagem, sintomas conhecidos do quadro depressivo. No entanto, tais sintomas são comumente negligenciados, seja por profissionais, pacientes, amigos e familiares, que não se comunicam sobre o desenvolvimento de tais sintomas. Nesse contexto, torna-se evidente a necessidade de conscientização social frente a necessidade desse debate, bem como a necessidade de formação e capacitação de profissionais qualificados para tratar doenças mentais.

O escritor americano Andrew Solomon, em sua obra “o demônio do meio-dia”, afirma que “O contrário da depressão não é a alegria, mas, sim, a vitalidade”. Nessa lógica, é notável que o isolamento social, marca de diversas doenças mentais, contribui para o agravamento e diagnóstico tardio delas. Dessa forma, o diálogo com familiares e a presença desses no consultório, faz-se indispensável, contribuindo para o diagnóstico precoce, o que torna o tratamento mais fácil e eficiente, segundo a Associação Indiana de Psiquiatria Biológica.

Além disso, outra necessidade de diálogo, nas questões da saúde mental, se dá pela necessidade de formação e capacitação de profissionais na área. Pois, esse tratamento, raramente chega onde é necessitado, já que, segundo a Organização das Nações Unidas, entre 75% e 85% dos que sofrem com tais distúrbios não têm acesso ao tratamento adequado, colocando doenças mentais no topo do ranking das que acometem a população mundial.

Logo, é necessário que os institutos de psicologia, junto ao Ministério da Saúde, divulguem propagandas educativas sobre os sintomas e atitudes a serem tomadas no caso de tais problemas, a fim de conscientizarem a população e a fazer buscar o diagnóstico e tratamento adequados. E, com projetos de expansão da graduação universitária em psicologia e psiquiatria em universidades, públicas e particulares, esse diagnóstico e tratamento seriam possíveis, ao serem distribuídos de forma gratuita em todo sistema de saúde, a fim de atender a toda população.

Por fim, assim como no filme de Lars Von Trier, poder-se-ia dar as mãos, não de modo a ficar passivo ao grave problema social iminente, tal qual na cena do filme, mas sim porque deu-se mais um passo para longe dele.