A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 29/10/2018
No final da Idade Média, com influência do cristianismo na cultura ocidental, os transtornos mentais eram vistos como negativos e criados por demônios. Como a Igreja possuía muita influência sobre a sociedade, as pessoas doentes eram abandonadas ou exorcizadas. Pouco se vê, entretanto, na sociedade hodierna, esses mesmos pensamentos, posto que o assunto “transtornos mentais” vêm sendo colocado em prática. Porém, os entraves que os pacientes possuem na sociedade ainda são evidentes, uma vez que eles portam dificuldades ao comunicarem sobre o que sentem e, além disso, o Estado não possui um amplo cuidado diante desse impasse.
A princípio, a pessoa pode ser portadora de doenças como, por exemplo: depressão, bipolaridade, ansiedade e esquizofrenia. Na maioria destes casos, os pacientes sentem-se inseguros sobre sua própria condição e, também, sobre relatar seus problemas até mesmo quando procuram por ajuda médica e psicológica. Tais obstáculos nascem, muitas vezes, de uma sociedade intolerante que possui pouca aceitação perante um distúrbio mental. Essa psicofobia afeta muito mais a vida do doente, podendo resultar em perdas de amigos, familiares e, até mesmo, empregos.
Além disso, a falta de uma atenção adequada do Estado diante deste problema é uma barreira para o tratamento e a cura desses pacientes. Michel Foucault - filósofo e sociólogo francês - explicou em sem livro “História da loucura” como a loucura - doença mental - passou a ter atenção especial ao mesmo tempo em que denunciava métodos “não humanos” a cura dos pacientes. Parte do pensamento de Foucault não tem se aplicado a sociedade brasileira, haja visto que o debate e os tratamentos para transtornos dessa categoria, continuam sendo um tabu. Vê-se, pois, um paradoxo das áreas de saúde estatais ao prezarem pela dignidade na saúde mental.
Infere-se, portanto, que é imprescindível que haja um combate a esse desafio para poder oferecer uma melhoria na saúde dessas pessoas. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve viabilizar meios de inserção de pacientes transtornados mentalmente em clínicas psicológicas e psiquiatras, sem que estes se sintam envergonhados por sua presença nesses locais, por meio de programas de apoio perante essa situação, com o objetivo de decrescer a taxa de doenças psicológicas, melhorando a qualidade de vida desses pacientes e fazendo com que sintam-se inseridos na sociedade novamente.