A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 28/10/2018

Por muito tempo, as pessoas que sofriam de tormentos psíquicos eram obrigadas a viver em manicômios. Na contemporaneidade, tal barbárie não ocorre mais, porém há um estigma social em relação a essa parcela da população, devido à falta de informação e banalização desses transtornos, além do absenteísmo do Estado à questão. Nessa conjuntura, observa-se a necessidade de debater essa problemática, com o fito de oferecer dignidade a todos os cidadãos.

Sob esse viés, o filósofo Noberto Bobbio elucidada que, a dignidade humana é capaz de dar ao cidadão o direito ao respeito. Porém, na vida de muitas pessoas que sofrem com problemas mentais, essa elucidação não se concretiza. Isso porque, poucos recursos são destinados pelo Estado para o tratamento dessas enfermidades. Prova disso, foi uma pesquisa realizada pela ONU, a qual comprovou que 80% dessas pessoas não tem acesso ao tratamento eficaz. Isso atesta a ineficiência do governo em cumprir direitos básicos previstos pela Carta Magna de 1988.

Além disso, outra dificuldade enfrentada pelos doentes mentais se dá na banalização de certas doenças. Esse pensamento produz na sociedade concepções errôneas a respeito de doenças como, por exemplo, depressão. Essa ideia foi explorada pelo escritor Machado de Assis no livro “O Alienista”, por meio do qual ele apresentou como essa situação era vista em outra época – ao final da obra, todos os personagens haviam sido considerados “loucos”. O pensamento machadiano tem se aplicado à sociedade atual, haja vista a falha nos diagnósticos, que dificulta o tratamento e pode gerar – nos casos mais graves – até suicídio.

Diante do exposto, urge que o Estado envie recursos ao Ministério da Saúde, em prol do bem estar físico e mental dos cidadãos, por meio da disponibilização de tratamentos eficazes, como terapias e medicamentos. Ademais, ONG’s devem promover, através da grande mídia, campanhas com enfoque na importância da saúde mental do indivíduo, haja vista que deve haver uma maior disseminação desse conteúdo no âmbito social. Outrossim, o MEC deve impor diretrizes de um projeto pedagógico em escolas e universidades, voltado para a prevenção de doenças que afetam a mentalidade das crianças e dos jovens, por meio de práticas culturais e esportivas. Poder-se-á, assim, visar uma melhoria no desenvolvimento da sociedade.