A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 27/10/2018

Os transtornos mentais ganharam palco de discussão nos meios de comunicação do Brasil e, atualmente, muito se tem ouvido falar sobre o tema. Analogamente, de acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde, as doenças mentais afetam mais de 400 milhões de pessoas, e, a nível nacional, a estimativa é que 23 milhões de pessoas enfrentem tais males. Diante da atual conjuntura, se faz necessário compreender os amplos e permanentes debates sobre a saúde mental, imprescindíveis para reduzirem o preconceito existente contra o portador de sofrimento psíquico.

Em primeira análise, ao longo da história, as pessoas com transtornos mentais eram qualificadas como “loucas” ou até mesmo “perigosas”. Todavia, apesar da evidente evolução dos estudos psiquiátricos, o número de portadores que enfrentam o preconceito diariamente ainda é alto. Destarte, segundo informações divulgadas pela ONU, em média 75% das pessoas que sofrem de tais transtornos não possuem acesso ao tratamento adequado. Nesse contexto, em concordância com a fala de Hannah Arendt: “O que permanece inarredável, como pressuposto básico, é o direito e ter direito”, foi publicada em 2001 a Lei Paulo Delgado, que dispõe sobre a “proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais”, que, no entanto, ainda se encontra longe se ser plenamente eficaz e devidamente regulamentada.

Outrossim, de acordo com o entendimento de Zygmut Bauman: “Vivemos em tempos líquidos, nada foi feito para durar”, é necessário atentar às relações digitais na contemporaneidade que moldam a maneira de interagir e comunicar das pessoas. Em decorrência disso, estudos apontam para a correlação entre os sintomas depressivos com o uso excessivo de redes sociais, que frequentemente são um mecanismo para a validação externa. Dessa forma, a privacidade gradativamente cedeu lugar para a transparência, que, recorrente, se confunde com a vulnerabilidade nas redes sociais devido à intensa presença online, que, não necessariamente supre o sentimento de tristeza e solidão.

Em síntese, a sociedade deve buscar entender o portador de sofrimento psíquico, reduzindo sua solidão e integrando-o ao meio social. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde promova a ampliação da ação dos Centros de Atenção Psicossociais, a fim de alcançar públicos mais restritos que não possuem acesso ao tratamento eficaz, ou sequer o entendimento das doenças mentais. Além disso, mostra-se importante que a família, escolas e as próprias redes sociais, eduquem jovens usuários ao uso comedido, com a finalidade de reduzir a vulnerabilidade desses usuários. Posto que o conhecimento tem como premissa o acesso à informação, espera-se, acima de tudo, a quebra dos estigmas em torno a saúde mental.