A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 27/10/2018
As intensas mudanças socioculturais decorridas do processo de urbanização e industrialização - em meados do século XVIII- afetaram drasticamente a compreensão dos indivíduos acerca de seu lugar no mundo.Esse cenário foi propicio para o surgimento da sociologia e da psicologia que passaram a estudar,respectivamente,o papel do sujeito perante ao grupo e à percepção do mesmo sobre si.Essas alterações sociais tornaram necessário à busca pelo equilíbrio emocional perante as inúmeras metamorfoses temporais,reforçando o dito do filósofo grego Sócrates sobre a necessidade de conhecer a si mesmo.
De fato, é notório como as transformações ocorridas ao longo da história afetaram os seres humanos ,em especial, no desenvolvimento tecnológico ocorrido no pós guerra.Diante desse panorama,o sociólogo Zygmunt Bauman demonstrou que antigas instituições consideradas sólidas ruíram.Isso devido ao processo de globalização que tornou as pessoas mais competitivas,individualista e possuindo vínculos afetivos frágeis,deixando-as emocionalmente mais instáveis.
Nesse aspecto, um dos grupos mais atingidos foram os jovens por estarem em uma fase da vida em que são extremamente cobrados,desenvolvendo,assim,quadros de transtorno de ansiedade.A Organização Mundial da Saúde atesta o aumento de casos de suicídios em todo mundo,principalmente, entre a faixa etária de 15 a 29 anos, ironicamente afetando a própria economia que dependem da atuação desse grupo no mercado de trabalho.
O fato de os transtornos mentais ainda serem um tabu na sociedade dificulta a discussão sobre o assunto colaborando para a manutenção de preconceitos e a não procura por tratamento.Muitas vezes, o debate emerge quando ocorre um episódio trágico envolvendo alguma personalidade como,por exemplo,o suicídio em 2014 do ator americano Robin William.
Percebe-se,portanto,o quão intrínseco é a relação entre o meio e o individuo que o habita,sendo que as alterações- no tempo e no espaço - o sensibiliza de modo significativo;dispondo-o ao desenvolvimento de transtornos comportamentais que afetam sua qualidade de vida.Uma maneira de minimizar esse quadro é por meio da criação - pelas prefeituras nas unidades de saúde- das “oficinas do pensamento” ,essas a cada quinze dias ofereceriam palestras sobre saúde emocional e técnicas de meditação auxiliando na diminuição dos níveis de estresse e ansiedade da comunidade local.Parcerias entre os Governos Estaduais e clínicas psiquiátricas possibilitaria o encaminhamento de pessoas de nível médio a grave de psicopatias,diminuindo a fila de espera nos hospitais públicos.Assim,os indivíduos estarão mais preparadas para passar pelas metamorfoses da vida.