A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 27/10/2018

O Livro “Doença Mental e Psicológica” do filósofo francês Michel Foucault explora uma temática bastante discutido no cenário hodierno: as psicopatologias. Na obra, o pensador transcorre uma relação entre as doenças e evolução, além de expor uma coligação entre loucura e cultura, elaborando uma tese, na qual aborda à reflexão e atenção necessária, por parte da população, para o tema. Todavia, uma banalização do assunto tem prejudicado todo o pensamento construído, suscitando à intolerância e à exclusão social. Contudo, dois aspectos fazem-se relevantes: um legado sociocultural e a imparcialidade governamental.

É irrefutável notar, que a intensificação de ocorrência de agravos psíquicos é um fator histórico. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em uma modernidade líquida, onde as relações são fluidas e instáveis. Logo, essa ausência de uma aproximação e interação social, emergida pela globalização, corrobora um extremo vazio íntimo, tornando mais frequente as psicopatologias, como apresentado pela Organização Mundial da Saúde, a qual afirma que as doenças e transtornos mentais afetam mais de 400 milhões de pessoas em todo mundo.

Além disso, cabe analisar, como a ausência de uma postura governamental, corrobora o quadro supracitado. A Lei Paulo Delgado, número 10.216, assegura proteção e direito as pessoas portadoras de transtornos mentais. Entretanto, o frequente uso dessas mazelas psíquicas no meio humorístico, postagens na internet e discurso de ódio – categorizando a vítima como inferior por ser portador de alguma psicopatologia - faz com que a legislação se torne inviável, retirando ainda mais o suporte do paciente e aumentando a descrença nos três poderes que regem uma nação.

Consoante Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo”. Urge, portanto, que subterfúgios sejam tomados. Cabe à Organização Mundial da Saúde, em parceria com ONG’s, liberar podcast nas redes sociais e comerciais nos meios televisivos, além de promover workshops com o tema psicopatologias, com o fito de conscientizar a sociedade, gerando a tolerância e respeito com os indivíduos portadores desse tipo de doença. Ademais, compete ao Poder Executivo, criar portais de denúncia – pelas redes telefônicas e por sítios virtuais – assegurando penas mais severas aqueles que desrespeitarem a legislação e propagarem a banalização do assunto, estando propensos a custear uma indenização à vítima e responder processos de nível federal. Somente assim, materializando tais propostas, poder-se-á modificar a cenário atual.