A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 27/10/2018

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, a falta de debate sobre as doenças mentais impede que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, nota-se não só a repetição de esterótipos ultrapassados, mas também, a pouca divulgação do assunto como problemas que devem ser superados de imediato para que uma sociedade segura e que discorra sobre o tema seja alcançada.

É indubitável que, no contexto dos séculos passados, teve-se não apenas discriminação contra doentes mentais, como ignorância à respeito do assunto. Por fruto disso, tem-se, ainda, uma geração que repete estes esteriótipos antigos. Nesse sentido, o livro “O Holocausto Brasileiro” retrata o que houve em um hospício, do século XX, no interior do Estado de Minas Gerais, que por causa da desumanização sofrida pelos internos, cerca de 60.000 foram mortos. Cabe ao governo mudar esse quadro persistente, já que, segundos dados da ONU, no brasil existem mais de 20 milhões de doentes mentais, e o tratamento adequado é essencial não só para a socialização como para o bem-estar desses indivíduos.

Faz-se indispensável, ainda, salientar a mínima repercussão do assunto como um problema vigente. Sabe-se que, como disse o filósofo e pedagogo, Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Por esse ponto de vista, os brasileiros precisam ser educados acerca de doenças mentais como a depressão, síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), esquizofrenia, transtorno bipolar, entre outros; todavia, lamentavelmente, não é isso que sucede. Essa situação ignóbil está relacionada à inexistência ou incipiência de políticas públicas que visem propor o debate e a informação sobre as enfermidades mentais e as consequências malfazejosas  causadas à quem sofre preconceito por possuir alguma.

Destarte, pela observação dos aspectos analisados, faz-se necessário que o Estado, por seu caráter abarcativo, em união à Organização Mundial da Saúde (OMS), promova uma campanha, que se chamaria “Somos todos iguais”. Nela, psicólogos e psiquiatras dariam palestras em escolas e universidades e participariam de programas e propagandas midiáticas com o intuito de informar a população a respeito de doenças mentais e da necessidade da tolerância e naturalidade ao se encontrar com essas pessoas, e também, incentivar a procura de tratamento mental para todos. Logo, essa preconceito e falta de debate poderão ser revertidos.