A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 28/10/2018
De acordo com o pensador John Stuart Mill, o indivíduo tem soberania sobre seu corpo e mente. Contudo, essa ideologia encontra limites diante das doenças mentais, caso em que a pessoa pode colocar a si próprio e a outros em perigo. É o caso do matemático, ganhador de um Prêmio Nobel, John Stuart Nash Jr, cuja esquizofrenia foi encoberta por muito tempo, já que seu comportamento exótico e seu pensamento acelerado estavam associados à sua carreira como gênio da matemática. Porém, as manias de perseguição e outros sintomas da esquizofrenia, poderiam colocar ele e sua família em situações de risco. Observando esse fato, chama-se atenção para as doenças mentais, que são, muitas vezes, ignoradas, mas que representam um grande risco para o bem estar dos indivíduos acometidos. Convém ressaltar, a princípio, o acelerado ritmo de trabalho e estudo na sociedade contemporânea. Atrelado a esse fato, está a grande exigência, sobre os indivíduos, por produtividade. Como consequência dessa pressão constante, muitas pessoas desenvolvem quadros depressivos intensos. Consoante a essa realidade, segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 800 mil pessoas cometem suicídio a cada ano, devido à depressão e, paralelamente, cresce a popularidade de livros como O Manual Completo do Suicídio, escrito pelo japonês Wataru Tsurumi, o que demonstra o aumento pelo interesse sobre esse assunto. Sendo assim, pode-se concluir que há um grande problema no modelo produtivo da sociedade, onde a competitividade entre os indivíduos ultrapassa a ambição saudável e alcança o patamar prejudicial à saúde mental. Ademais, o poder público, muitas vezes, ignora o tratamento das doenças mentais e recorre a soluções agressivas, como conta o documentário chamado O Holocausto Brasileiro. Nele, é divulgado e denunciado a realidade em um manicômio de Barbacena, em Minas Gerais. No local, eram realizados lobotomia e outras práticas violentas, consideradas adequados aos pacientes. Sendo assim, não havia uma busca em melhorar a qualidade de vida do doente, mas apenas em atenuar as manifestações da doença. Desse modo, há a quebra do Contrato Social de John Locke, uma vez que o Estado não garante a qualidade de vida de seus governados. Diante da triste situação dos doentes mentais no Brasil, é necessário mudar essa realidade. Portanto, o Ministério do Trabalho deve exigir a contratação de psicólogos nas instituições públicas e privadas, para que esses profissionais acompanhem os trabalhadores do local, auxiliando a todos na busca pela boa saúde mental. Ademais, o Ministério da Saúde deve, além de investir recursos para pesquisas relacionadas a novos tratamentos, fiscalizar as clínicas destinadas aos doentes mentais, a fim de garantir que os pacientes não sofram práticas abusivas. Dessa forma, a sociedade contará com mais tranquilidade no cotidiano, e os acometidos por doenças mentais terão melhores condições de tratamento.