A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 28/01/2019

A história da loucura, segundo Michel Foucault, iniciou-se no final da Idade Média. Nesse período, as cidades expulsavam os loucos, e quando os recolhiam, não passavam por processos terapêuticos, mas ficavam, simplesmente, trancafiados, pois se acreditava que somente um milagre poderia curá-los. Contudo, apesar de muitos séculos terem se passado ainda se observa a falta de inclusão de indivíduos com doenças mentais na sociedade, tornando-se evidente reconhecer como a negligência governamental, bem como o preconceito enraizado socialmente contribuem para a persistência da problemática.

Em primeiro plano, é preciso reconhecer que omissão por parte do governo frente aos cidadãos com transtornos psicológicos persiste já a algum tempo. Durante muitos anos o Hospital Colônia foi responsável pelo massacre de milhares de pessoas as quais, muitas das vezes, eram internadas sem apresentarem quaisquer transtornos e acabavam sendo vítimas de tratamentos com choque, violência sexual e física, além de muitas outras penalidades. Esse episódio marcante ocorrido no Brasil, deixa claro as falhas e o descaso, principalmente dos órgãos fiscalizadores do governo, que poderiam ter evitado a tragédia caso tivessem dado uma atenção maior a esse grupo socialmente fragilizado.

Paralelo a isso, observa-se que os preconceitos vividos por esse grupo  é reflexo da valorização de padrões criados pela consciência coletiva durante os tempos. Consoante Erving Goffman, o Estigma Social é a situação do ser que está inabilitado para aceitação plena. Nesse sentido, aqueles indivíduos que não conseguem se inserir nos padrões criados acabam sendo colocados as margens da sociedade e sendo tratados como loucos .Como consequência disso, as chances de melhora tornam-se baixas, uma vez que, não há um estímulo para que o sujeito volte a viver no ambiente social.

Diante dos fatos supracitados, nota-se que que a exclusão de pessoas com transtornos psicológicos é um desafio da atualidade o qual evidencia a importância de políticas públicas acerca dessa questão. Em primeiro lugar, cabe ao Ministério da Educação estruturar projetos educacionais nas instituições de ensino-haja vista que a escola é a máquina socializadora do Estado-por meio de seminários, palestras elucidativas, as quais serão realizados por profissionais docentes, e tem como objetivo conscientizar os estudantes acerca da inclusão desse grupo na coletividade. Ademais, é função do Poder Legislativo criar leis que visem reintegrar esses membros à sociedade, como por exemplo destinar a esses cidadãos um número de vagas nas instituições de ensino e no mercado de trabalho. Desse modo, espera-se que a problemática seja gradativamente minimizada na sociedade.