A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 18/02/2019

O seriado americano “American Horror Story”, retrata, em sua segunda temporada, a história de um manicômio dos anos 50, “Briarcliff”, em que recebia pacientes psicopatológicos para, o que se supõe, tratá-los. Entretanto, o que existia de fato, era exclusão social e, em todos os eventos, sofriam abusos e maus tratos, corroborando para a piora. Apesar da história de “Briarcliff”, no século XXI, não há mais formas antiquadas de se buscar a cura para pessoas com doenças mentais, todavia, a falta de políticas públicas que difundam abertamente o assunto gera tabu e, consequentemente, a negação da maioria das pessoas em reconhecer tal condição.

Em primeiro lugar, a vida moderna mecanizou as relações e, principalmente, o tratamento aberto de problemas. No dia conturbado de trabalho ou escolar, a busca por aprovação e, notoriamente, a aceitação pelos demais, a saúde mental é deixada em última instância, de modo a colaborar para o aparecimento de transtornos de ansiedade, depressão e síndrome do pânico, por exemplo. Outrossim, a falta de políticas públicas que abordem esse assunto, mormente, em escolas e ambiente de trabalho, atenua a realidade do país.

Ademais, não é incomum ouvir frases como “depressão é frescura”, “ansiedade é cabeça vazia” ou, até mesmo, “antigamente isso não existia”. Nos tempos de sociedade líquida, conforme Zygmunt Bauman, “o mundo moderno é caracterizado por relações que carecem de valores éticos e morais”, o que denota que mesmo sendo mudada a visão sobre o assunto, pensamentos errôneos ainda permanecem e são consequências do passado em que muitos acham correto tratar os doentes de forma diferenciada, o que implica na negação das pessoas que as possuem, advinda do medo de serem tratadas como loucas ou esquecidas à margem social.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, o Ministério da Educação e da Saúde, criariam o programa “Saúde Mental em Primeiro”, para atuar em escolas e ambientes de trabalho, junto ao setor de Recursos Humanos e Psicopedagogia, respectivamente, por meio de palestras interativas, para os o debate aberto acerca do assunto “Doenças Mentais no Século XXI: como acabar com essa realidade?”, com trabalhadores, alunos e professores, a fim da quebra da negação e pensamentos errôneos que ainda permanecem sobre a problemática. Não somente, haveria uma extensão para ajudar na busca de tratamento para pessoas que já possuem tais comorbidades, para auxílio e a obtenção de melhora paliativa ou de cura. Dessa forma, se construiria uma sociedade aberta ao tema, que previne e combate tal problemática de maneira correta, distante dos pensamentos errôneos e de intervenções como as de “Briarcliff”.