A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 18/02/2019
Em primeiro lugar, apesar das doenças mentais sempre existirem, não eram tratadas como doença e sim como loucura, proveniente de fenômenos sobrenaturais, dos deuses e/ou dos demônios. Hodiernamente, se por um lado tem-se uma maior compreensão das doenças mentais, diagnóstico e tratamento, do outro é surpreendente o aumento do número de pessoas acometidas por esse mal.
Segundo a Organização Mundial de Saúde 700 milhões de pessoas no mundo são acometidas por transtornos mentais, representando cerca de 13% do total de todas as doenças. E apesar de doenças como esquizofrenia e psicose serem as primeiras lembradas, elas não são as mais frequentes. No topo da lista estão a depressão e a ansiedade. O mundo contemporâneo, com suas características - crises, instabilidade, individualismo e digital - parece ser o ambiente propício para o desenvolvimento dessas patologias. Um exemplo é o aumento dos atendimentos psicológicos em 54% e o número de afastamentos do emprego por doenças mentais em 12%, observadas durante a crise de emprego no Brasil entre 2013 e 2016 (Folha de São Paulo). Infelizmente as doenças mentais também têm atingido a população jovem, o que tem preocupado as universidades. O caso de uma estudante de Engenharia da Universidade Federal de São Carlos de 21 anos que trancou a matrícula após desenvolver um quadro de ansiedade e depressão após episódios de automutilação e uma tentativa de suicídio está se tornando cada vez mais comum.
Diante dessa realidade é importante que a sociedade se conscientize da necessidade de buscar formas de reduzir o número de pessoas acometidas por doenças mentais. Um exemplo é por meio de núcleos de prevenção, atuantes em todas as unidades de ensino e trabalho, em que profissionais da área de saúde desenvolvam um plano de trabalho para melhorar a qualidade de vida e o desenvolvimento do espírito de sororidade entre as pessoas.