A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 21/02/2019

A literatura pré-modernista brasileira foi marcada pela obra do grande poeta Augusto dos Anjos, que, em seus versos, expressava extremo pessimismo e um forte teor depressivo. De certa maneira, esses aspectos também estão presentes na contemporaneidade, pois, apesar de todos os esforços para o tratamento das doenças mentais, é crescente o número de pessoas com distúrbios psíquicos, o que é agravado pela falta de diálogo acerca do tema e resulta em altos índices de suicídio. Assim, medidas governamentais e educacionais devem ser tomadas na tentativa de amenizar o problema.

Em primeira análise, a falta de debates sobre as patologias mentais corrobora para um quadro social com inúmeros doentes. Prova disso é que, segundo o portal de notícias G1, cerca de 6% da população brasileira sofre de alguns desses problemas, o que pode ser reduzido com o diálogo construtivo sobre o assunto durante a formação, na infância. No entanto, importantes instituições educadoras, como escola e a família, muitas vezes tratam o tema como tabu e não conseguem estimular a empatia pelos que sofrem com os distúrbios, nem alertam sobre as consequências dessas enfermidades às pessoas.

Em segunda análise, devido à banalização e à falta de tratamento dessas patologias, casos de autocídio tendem a aumentar. Dessa forma, de acordo com a Organização Mundial da Saúde(OMS), no mundo, acontece um suicídio a cada 30 segundos, o que é resultado da pouca relevância que as pessoas atribuem aos sintomas dessas doenças. Com isso, pelos distúrbios psíquicos serem banalizados e preteridos se comparados a outras enfermidades, várias pessoas não reconhecem a importância do tratamento, que pode evitar fatalidades, como o autocídio.

Percebe-se, portanto, que as doenças mentais são um grave problema na contemporaneidade. Logo, cabe aos órgãos públicos ampliarem o oferecimento de tratamentos psicológicos gratuitos àqueles indivíduos que sofrem com esses problemas, a fim de garantir uma melhor qualidade de vida a essas pessoas e uma redução nas taxas de suicídio. Ademais, é necessário que as escolas, junto às famílias, trabalharem o debate acerca dessas patologias por meio de jogos educativos e atividade coletivas que incentivem a empatia e ensinem a importância da remediação desses distúrbios, para que, em outro instante, a poesia de Augusto dos Anjos não retrate mais a contemporaneidade.