A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 23/02/2019

O ser humano conhece mais o Espaço sideral e o Mar do que sua própria mente. Consequentemente, o Homo sapiens vive um século em que grandes descobertas sobre o cosmos são feitas, mas, paradoxalmente, no mesmo período, existe também um crescimento exacerbado de transtornos psiquiátricos. Essa espécie de pandemia ocorre principalmente pela falta de debate sobre o tema, que é consequência do desconhecimento da existência de estratégias eficazes de prevenção e de tratamento.

Em ‘‘Treine seu cérebro para provas’’, o psiquiatra Augusto Cury afirma que o autoconhecimento previne tanto doenças psicológicas quanto psicossomáticas. Entretanto, diante da dinamicidade da vida, devido ao alto fluxo de informações derivado da internet, o tempo para reflexão sobre algum conflito interno- sobre sua causa, seu motivo e, primordialmente, sua legitimidade-, dissipa-se. Logo, sem a reflexão e o autoconhecimento é impossível levantar muros para a proteção contra doenças da mente.

Decorrente da vulnerabilidade de mentes desprotegidas, cerca de 11% da população brasileira- de acordo com pesquisas de 2013 promovidas pela ONU- sofre de doenças psicológicas. Esse alto índice continua em crescimento devido a quantidade de pessoas que, por falta de acesso a tratamentos adequados, continuam sofrendo por uma doença na qual intervenções médicas são eficazes. Apesar da existência da Lei Paulo Delgado, o governo negligencia a assistência a população que tem transtornos mentais e, por isso, mais de 75% das pessoas que os têm, não os tratam.

Portanto, é visível a necessidade de debate sobre doenças da mente. Para isso, é necessário que de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação haja a criação de um projeto de palestras itinerantes e abertas ao público, principalmente nas escolas, por meio da reunião de médicos psiquiatras, de psicanalistas e de psicólogos, que irão democratizar as informações sobre transtornos mentais, para que a população, antes leiga, conheça algumas estratégias de proteção da mente e, se for o caso, saiba recorrer a profissionais quando necessário