A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 23/02/2019

O ser humano busca constantemente a forma perfeita. “Vence” aquele que possuir a melhor forma física e estiver mais adequado aos padrões impostos pela sociedade moderna. No entanto, dados levantados por organizações mundias têm denunciado um aumento crescente no número de pessoas acometidas por transtornos mentais diversos, levantando a necessidade de debates voltados à saúde mental.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) 4,4% da população mundial sofre com alguma doença mental, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e esquizofrenia. No Brasil, esse número gira em torno de 29% e 47%, sendo a ansiedade e a depressão as mais recorrentes, colocando o país no topo da lista entre as nações da América Latina. A incidência é maior entre mulheres e cada vez mais recorrente entre jovens de 10 a 29 anos.

As causas podem ser genéticas ou ligadas a diversos fatores externos, como por exemplo, o preconceito e os padrões de vida exigidos pela sociedade. Entre as consequências estão a improdutividade e isolamento social, decorrentes da banalização dessas doenças; o surgimento de doenças psicossomáticas, que são manifestações físicas dos transtornos mentais (dores musculares, alterações na visão, irritação, falta de ar, etc.); e até mesmo o suicídio. Ainda segundo a OMS, a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo motivado por alguma doença mental.

É substancial salientar a importância do debate em todas as esferas sociais, coibindo a vulgarização acerca das doenças mentais, pois esta dificulta a percepção do problema. Quanto mais  cedo for discutido, mais cedo será feito o diagnóstico e mais fácil o seu tratamento. Além disso, outras medidas são necessárias, como a qualificação dos profissionais responsáveis (psicólogos, psiquiatras e psicoterapeutas), bem como sua presença obrigatória em hospitais, postos de saúde, instituições de ensino e empresas públicas e privadas, facilitando assim o acesso ao diagnóstico e aos tratamentos adequados; a promoção de políticas públicas buscando mobilizar a sociedade na busca de intervenções que facilitem a inclusão e reabilitação desses pacientes; investimentos em centros de assistência psicossocial, na melhoria dos já existentes e na criação de novos centros em todo o país.

A prevenção e o tratamento dos transtornos mentais são de responsabilidade de toda a sociedade.  Se todos puderem dialogar, sem julgamentos ou preconceitos, milhares de vidas podem ser salvas. Seja em casa, no trabalho ou nas escolas, toda mudança de comportamento merece atenção e precisa ser conversada, evitando assim, problemas de proporções maiores e mais graves.