A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 24/02/2019
Permeada de preconceito aos incapazes mentais,a formação do estado brasileiro,ainda na contemporaneidade,direciona-se à onda de intolerância,permitindo com que pessoas com transtornos mentais fiquem à margem de direitos básicos,como saúde e trabalho.Tal precariedade empática é reflexo de uma política pública,que até os anos 1980,mantinha em funcionamento os manicômios,onde pacientes eram submetidos à tratamentos desumanos.Além disso,essas masmorras decadentes criaram um estigma sobre o assunto que se estende até hoje.Com isso,surge a necessidade de debater as doenças mentais,no Brasil,a fim de desbanalizá-las,visto suas frequentes recorrências,e promover um modelo assistencial eficaz em saúde mental à esse grupo.
De acordo com a Organização das Nações Unidas(ONU),a estimativa é de que 23 milhões de pessoas sofram de doenças e transtornos mentais,somente no Brasil,sendo ao menos 5 milhões já em estados avançados.Depressão;transtorno bipolar;distúrbios de ansiedade e pânico são causados por fatores genéticos/ambientais,associados à frescura e ao intuito de chamar atenção,esses problemas vêm sendo naturalizados pela sociedade.Segundo Vladimir Herzog,quando perde-se a capacidade de indignar-se com os problemas dos outros,perde-se também o direito de se considerar ser humano civilizado.
A falta de Centros de Atenção Psicossocial(Pacs) distribuídos proporcionalmente no país,e a lenta regulamentação da lei 10.216,que prevê a proteção aos direitos de portadores de doenças mentais e os redirecionam ao tratamento corroboram para a extensão do estigma.
Tendo em vista os aspectos observados,entende-se que o Legislativo deve regulamentar a Lei Paulo Delgado e colocá-la em prática.O Governo Federal deve destinar uma maior parcela de impostos ao SUS e às UPA´s criarem centros especializados na saúde mental,além de aplicar campanhas de abrangência nacional como estímulo ao respeito.Assim,a necessidade de debater as doenças mentais será compreendida e atendida