A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 09/03/2019
A atual era, cenozóica, representa o maior acúmulo de informações da história. As percepções, os conflitos mentais e sentimentos misturam-se com a instabilidade do convívio social. Apesar disso, geração que lidou com estes eventos: o êxodo rural, o desemprego conjuntural e estrutural e a migração de retorno, criou seus filhos à base da falta de diálogo. Por isso, o final do século XX marcou o início de uma sociedade ainda mais conturbada, mas que compactua com uma solidariedade orgânica e individualista.
Durante os anos 70 e 90, nomes como Jeffrey Dahmer, Marcelo Costa e Ted Bundy causaram pavor social. O vampiro de Niterói, Marcelo Costa, contou com uma infância conturbada que, soma-se ao agravamento de esquizofrenia e psicopatia, caracterizam as reações ao abandono materno, pela falta de condições para criá-lo na cidade, e posteriormente ao paterno e suas consequências, bem como os descuidos da instituição escolar. Desde pequeno, demonstrava sinais de ambos os distúrbios; a falta de diálogo, compreensão, e de uma educação atenciosa e especializada, surtiram efeito em 13 famílias, número de suas vítimas de pedofilia e necrofilia. Compõe apenas um de milhares de casos, brasileiros e estrangeiros, que representam a carência social, familiar e de ensino individual nas instituições.
Documentários e livros com histórias como a de Marcelo Costa, um serial killer, são facilmente encontrados. Vídeos na plataforma Youtube sobre o assunto geram milhões de espectadores. Apesar da facilidade de informação, ainda existe um abandono social coletivo; em que não há entendimento real de particularidades. A solidariedade orgânica, assim denominada por Émile Durkheim, pode ser observada, atualmente, como a falsa impressão de acolhimento. O movimento a favor da conscientização de doenças não interfere significativamente em como as relações sociais acontecem. O desprezo ainda permanece; pois, a individualidade e liquidez atuais trabalham como barreiras no processo.
Para que se possa evitar episódios como a história de Marcelo, é necessário que o Centro de Atenção Psicossocial, como também o governo e as instituições escolares, construam parâmetros de atenção individual especializados. Para isso, deve-se exigir que a psicopedagogia dos colégios se planejem para que todos os alunos possam visitar o departamento de psicologia escolar periodicamente. Assim, construirão um ambiente agradável e com maior utilidade para todos os alunos. Os pais, além da necessidade de serem bons ouvintes, devem estar atentos aos sinais; e, assim que os detectarem, devem procurar um profissional particular ou público. E então, não permitirão que as doenças mentais se tornem um tabu dentro de suas casas.