A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 29/03/2019

Ao longo da história da humanidade, principalmente na Idade Média, a “loucura” era normalmente ligada ao sobrenatural, ao místico, bem como às pessoas perigosas. Não obstante, no presente, com a consolidação da medicina, as doenças mentais passaram a ser vistas como um “sofrimento psíquico”. Entretanto, a falta de adequação das politicas públicas e do ensino educacional no debate a cerca dessas enfermidades contribuem para uma limitação no processo de ressignificação de estigmas relacionados aos transtornos mentais.

Em uma primeira análise, é factível que a escassez de politicas sociais na transmissão de conhecimento à população em relação a essas doenças, ratifica-se um contexto inerte no seu embate. Isso porque, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido. Partindo desse pressuposto, a falta de diluição de informações dos mecanismos biológicos e sociais, bem como dos sintomas relacionados às debilidades psicológicas, como a depressão, repercute, para que, muitos indivíduos, não procurem amparo de familiares e psicólogos, refletindo no negligenciamento dessas doenças pela sociedade e pelos indivíduos que a têm.

Outrossim, é válido explanar a falta de flexibilidade do ensino educacional em transparecer uma visão menos estereotipada acerca das enfermidades mentais. Nessa conjuntura, quando o educador Paulo Freire afirma que a escola não deve se distanciar da vida social de seus participantes, evidencia-se a necessidade de engajamento crítico aos preconceitos vinculados às doenças psicológicas. Porém, contrariando essa lógica, o ensino brasileiro, frequentemente voltado ao tecnicismo alienante, deixa de contemplar uma compreensão dialógica a respeito da saúde mental, repercutindo, para que tais doenças continuem sendo ligadas a sinais de fraqueza e “anormalidade”, o que, de fato, converge para atos de preconceitos e exclusão aos indivíduos debilitados psicologicamente.

É imperioso, portanto, a execução de mecanismos enérgicos no debate a essa conjuntura. Primeiramente, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as universidades que possuem áreas da saúde promover a implementação de oficinas e palestras nas escolas que estimulem uma compreensão holística a respeito da complexabilidade da saúde mental, adaptando a compreensão de cada série, a fim de que se dissocie as doenças mentais de rótulos de “anormalidade”. Acrescido a isso, cabe aos diferentes meios de comunicação oferecer espaços a psiquiatras e psicólogos em suas transmissões, bem como divulgar relatos de histórias de pessoas que superaram esse empecilho, com o objetivo de esclarecer os mecanismos e sistemas que englobam essas doenças.