A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 31/03/2019
Nos séculos da escravidão brasileira, os escravos trazidos a força e submetidos ao trabalho incessante cometiam suicídios frequentemente. Esses atos eram associados ao banzo, descrito como tristeza constante, angustia e apatia, o que atualmente é conhecido como depressão. Inquestionavelmente, as doenças psicológicas assolaram a humanidade durante a história, contudo o modo como eram tratadas, o preconceito e o misticismo ao redor delas causaram a morte e sofrimento de diversas pessoas. Atualmente, há grandes avanços nos estudos dos transtornos mentais, porém ainda deve-se debater sobre, para evitar o preconceito da sociedade e prezar para o melhor tratamento do doente.
Na Segunda Guerra Mundial, milhares de pessoas foram mortas em campos de concentração por possuírem doenças psicológicas, como a demência. Indubitavelmente, esses atos foram cometidos por preconceito, presumindo que os enfermos eram inferiores e incapazes. Analogamente, a sociedade brasileira atual, possui resquícios desses ideais, pois banalizam as doenças mentais e os doentes. Decerto, por falta de informação a população trata o enfermo com descaso e exclusão, sem entender a gravidade do problema, relativizam os sentimentos, atitudes e pedidos de ajuda do doente. Portanto, tal conduta gera a exclusão da pessoa que sofre da enfermidade, trazendo a ela o medo do julgamento e de pedir assistência.
Ademais, o Brasil não possui estrutura suficiente para atender os doentes mentais, a exemplo a cidade de São Paulo, onde apenas 30% dos postos públicos de saúde oferecem atendimento psiquiátrico, segundo o Ministério da Saúde. Consequentemente, isso impossibilita os doentes que não possuem renda suficiente para utilizar a rede particular, de conseguir auxílio. Outrossim, as pessoas que conquistam o atendimento nem sempre o recebem de forma respeitosa, visto que, muitos profissionais possuem julgamentos prévios e tratamentos arcaicos.
Em síntese, é necessário debater sobre doenças mentais para informar a população e diminuir o preconceito diante da problemática, além disso, formar pessoas conscientes que irão cobrar melhorias no atendimento desses doentes. Portanto, o Ministério das Comunicações deve investir em debates, palestras e propagandas que mostre as pessoas o imenso sofrimentos dos enfermos, os sintomas e o que passam diante do julgamento da sociedade, com o fim de conscientizá-los. Do mesmo modo, o Ministério da Saúde deve investir em melhorias no atendimento de pacientes, fornecendo infraestrutura e medicamentos de qualidade, para que assim todos possam ter o auxílio necessário. Assim, os doentes serão respeitados e terão a ajuda essencial.