A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 11/07/2019

A segunda geração romântica, também conhecida como “Mal do Século”, apresenta poemas com um constante cenário pessimista, no qual os autores reforçam suas tristezas e angústias da época. Paralelamente, tais traços psicológicos parecem perdurar até os dias de hoje, visto que o número de pessoas com transtornos mentais é alto no Brasil, devido a falta de informações da população sobre a questão e obstáculos na busca por tratamento.

Em primeiro lugar, é mister pontuar que, a falta de conhecimento das doenças mentais corrobora para que o estigma social e a banalização referente ao assunto permaneçam. Sob essa ótica, é cabível relacionar o pensamento do filosofo e educador Paulo Freire, de que sem a educação as transformações sociais não são propiciadas, assim, não havendo mudança na sociedade. Dessa forma, a escassez de debates sobre a importância da saúde mental faz com que os sintomas de transtornos psicológicos como a ansiedade e a depressão sejam invalidados diante de outras doenças, mantendo-se a reprodução de estereótipos na sociedade, além de criar um ambiente desfavorável para que pessoas que sofrem com transtornos mentais procurem ajuda.

Outrossim, as dificuldades no acesso ao tratamento público apresenta-se como outro entrave no combate aos transtornos mentais. Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição de centros públicos destinado ao atendimento psicológico pelo território brasileiro ainda é desigual, não ocorrendo o tratamento adequado para todas as regiões. Desse modo, a população de baixa renda que necessita de atendimento público fica desassistida, não recebendo a assistência psicológica necessária para sua recuperação, indo contra o direito de saúde pública para todos, garantido pela Constituição Federal de 1988.

Diante do exposto, medidas são necessárias para reverter o quadro atual. Urge que o Ministério da Saúde, em parceria com o setor midiático, faça campanhas e propagandas informativas que desmistifiquem crenças erradas sobre os transtornos mentais, alertando a população da importância da busca por tratamento e do apoio familiar. Ademais, cabe ao Poder Público desenvolver programas gratuitos de assistência à  saúde mental, criando mais centros de atendimento nas regiões brasileiras que sofrem com a falta desses serviços, a fim de assegurar o direito desses cidadãos. Dessa forma, o novo “mal do século” poderá ser superado.